26 de jan de 2010

Bailar dos passantes...

No despertar da cidade, ouço os passos dos homens que iniciam o mover da vida, jovens, homens de preto, andarilhos, pastores, padres, operários, mulheres, bailarinas, poetas, músicos...
o som dos passos chegam como o doce som da chuva em um amanhecer, vejo seus passos como alguém que observa a névoa a cobrir a serra que levemente se mostra com o despir do sol na aurora,
uma nova aurora!
Seus passos bailam, cada passo é um movimento coreografado pelo existir, e a cada passo é revelado
a timidez, a rapidez, a suavidade ou a curiosidade...movimentos alheios, sem uma única coreografia, são varias, porque foram coreografias construídas com o tempo vivido e demorado, mas juntas elas formam um espetáculo, são passos a procura da vida?
Nosso tempo é de movimento, tempo de bailar sem compromisso, apenas o caminhar já é importante, o caminhar para algo desconhecido, para vencer o que não lutamos para vencer, para conquistar o mundo que há em nos mesmo... o passar de um musico para a estação da luz e o passar de um poeta para e estação da sé já formam um pás deux.
O caminhar apressado dos operários em movimento continuo de valsa, sem tempo para admirar suas próprias construções, eles bailam sem contemplar suas vidas, o caminhar sensual de uma mulher em movimento de tango, e não me esqueço do caminhar idoso, perpetuo, este caminhar já vivido, este caminhar já sonhado, porem aprendido.
Não podemos cruzar o olhar com outros? É tempo de caminhar só, de olhar apenas para as mãos e para as ruas, rostos não são importantes, rostos não bailam.
Os olhos seguem em direção a chuva, o observar das múltiplas gotas que caem, os olhos observam as mãos calejadas e as mãos que esperam o tempo de escrever as palavras que bailam em seu pensamento.
Os passantes passam pela cidade que passa...é tempo de passar, passar pela cidade antes que ela mude, passar pela memoria da cidade, passar pelo campo, pelo abrigo seguro no campo...
não ouço o apito da Maria fumaça, mas ouço o som do metrô nos trilhos, uma nova trilha sonora para o bailar, o som do progresso, o bailar nas estações...
O metrô leva os passantes estáticos, sem movimentos, apenas o ferro a se com fundir com a grande maquina da tecnologia, apenas o progresso, o caminhar para o progresso, e o bilarina do passantes já não é o mesmo da década de 30, mas continua, em algum lugar continua, afinal a cidade é enorme, mas será que ele vai sempre continuar?


Sandrio cândido.

4 comentários:

Poeta do Penedo disse...

Numa cidade dificilmente o passante deixará uma pegada, porque a presença do passante é demasiado ténue para deixar marca no cimento. Não gostaria que a vida fosse para mim uma cidade. Tenho esse direito. Mas, para me dar ao direito de ter esse direito, há deveres a cumprir. Na cidade por onde passo procuro criar algo, uma obrigação, que me dê vida, mesmo que seja numa pequenina viela.
Com amizade.

poeta do inverno. disse...

sim os passantes não deixa pegadas na cidade, exatamente por isso eles são passantes, exatamente assim eles continuam a criar e a movimentar se no espaço cinza,sem comtemplar o que eles são e apenas olham o que háno exterior.

MM disse...

Caros Poetas,

Os passantes não deixam pegada porventura porque a cidade é apenas um veículo para as suas vidas, um lugar para onde caminham diariamente por força da obrigação e da necessidade.

Quando os pólos urbanos atingem uma certa dimensão, deixam de pertencer aos cidadãos que lá vivem ou fazem suas vidas, e transformam qualquer um num passante, num elemento vago e fugaz cuja existência pouca margem tem para se diferenciar das demais, apesar de continuar a carregar consigo a semente da diferença.

Cumprimentos,

Marcelo Melo
www.3vialblogspot.com

poeta do inverno. disse...

caro marcelo sua observação faz muito sentido em cidades como são paulo e outros grandes centros urbanos, digo isto porque no campo as pessoas se conhecem e possui uma relação com o lugar onde vive, com a memoria desta cidade, mascentros urbanos, não se há memoria pois esta pertence a muitos, a rua muda diariamente assim como os moradores, que já não são apenas brasileiros, mas de varios paises...

mesmo assim é possivel encontrar algo para criar e para viver em centros urbanos?
com saudações.
abraços.