2 de jan de 2010

A janela, a rua e a mulher!

Moro em uma rua qualquer
Mas o que nos separa
E a eternidade do tempo...
A hora póstuma é triste
Para as rosas florescendo!

Eu despir todo o pudor
Na fadiga do meu existir
E nas janelas abertas
Contemplei o rosto
Da mulher que amei...

Transbordo em sorrisos
Mas as minhas chagas
Continuam abertas...
Padeço em inúteis amores
Embriago-me por nada!

Em certas noites me entrego
A volúpia da vida triste,
Confesso a meu próprio ser
Que não consigo esquecer
A mulher que um dia amei ...

Esta rua é sem saída,
Mas o que nos separa é o tempo.
O tempo é tempo para o tempo
E nada mais... a hora póstuma
É triste para as rosas!


Espero que venha a chuva..
que os túmulos se molhem
Não com as minha lágrima
Esta guardo para as rosas
Espero encontrar outro amor
Quando novamente eu abrir
A janela em minha rua...

sandrio cândido.

2 comentários:

Poeta do Penedo disse...

Poeta do Inverno
Aqui nos presenteia com um belo poema.
Na sua génese uma profunda desilusão de amor.
A vida do homem é uma constante viagem por uma enorme cordilheira. Tanto se sobe, como se desce. E nessa viagem, de combóio, o homem espreita por várias janelas. Através delas vê a vida passar. Há a janela do trabalho, a dos amigos, a da familia, a da arte, a da realização pessoal e também a do amor. E para cada janela existe uma estação. Por vezes a abarrotar de vida, outras vezes vazias. A estação do amor é a que mais depressa se pode esvaziar, mas também a que mais rapidamente se regenera. Uma mulher se foi, outra há-de chegar. É tudo uma questão de tempo.
Com amizade

poeta do inverno disse...

tudo que você disse é a mais pura das verdades, a janela do amor por vezes esquecidas por alguns abre se tão subitamente que não podemos ter controle sobre ela...obrigado pelas belas palavras