7 de jan de 2010

pequeno bilhete ao amigo.

Compreende que aspiro a eternidade, mas ao mesmo momento a morte me parece ser o descanso merecido pela longa jornada na terra...ah! Como desejo ser normal, igual aos passantes da avenida, suas preocupação são apenas os semáforos e carros, mas as minhas são os semáforos da existência, causa me extase as metáforas. Não posso ser normal porque fiz escolhas e estas me levantaram do pó da ignorância...minha escolha foi ser ator, por isto sinto que em meu ser outras almas estão vivas , são as almas dos personagens de Shakespeare, Nelsom rodrigues,Gil vicente, Bosco brasil entre outros, são todos vozes que desejam falar a humanidade, eles estão vivos e neles encontro pedaços do meu ser...quando a poesia, não, eu não foi uma escolha ser poeta, se eu for mesmo poeta deve se apenas a uma dádiva alcançada na jornada percorrida entre a solidão dos livros e o pensamento do ser...compreende agora que o palco me seduz e a poesia me conduz...mas em meu ser surge em certos momentos uma angustia, um desejo de desistir, de pairar sob os sonhos e parar os sonhos, ah! Desejo esquecer a ditadura chamada realidade!
Estes estranhos caminhos levam me a pensar que em algum lugar do meu ser existe uma alma errante, diferente deste corpo que se reflete nos espelhos, talvez seja o que escreveu o poeta do penedo, em seu poema estação vazia:


"Numa estação vazia
Tirei um bilhete sem préstimo
Mais um caminho sem rumo
Mais um favor
Que à vida eu peço."

Sim amigo uma estação vazia onde povoamos com fantasias para depois retornarmos ao mesmo vazio, Carlos Drummond disse: havia um pedra no meio do caminho.
Melhor é continuar escrevendo e esperar o retorno para a linda e profunda gruta do descanso... talvez todas as vozes que em meu ser falam hoje também descansem um dia.
sandrio cândido.

poeta dopenedo- autor do blog Um futrica do Mondego. olhar-aeminium.blogspot.com/
carlos drummond de andrade.poeta brasileiro.
bosco brasil, nelsom rodrigues. dramaturgos brasileiros.

2 comentários:

Poeta do Penedo disse...

Não meu caro amigo poeta do inverno, você não está em idade de encontrar estações vazias. Para si, as estações têm de estar repletas de sonhos, e se um combóio se foi, outro está a chegar no minuto seguinte, e no outro e no outro. Você está na idade das oportunidades. Ser poeta é uma carícia, não uma desgraça. Ser actor é ter a capacidade de ser muita gente, sem nunca perder a identidade própria. É fabuloso, mas não passa de uma ilusão, porque o único actor da sua vida é você mesmo. E há neste mundo quem lhe queira bem e necessite do seu empenho,interpretando-se a si mesmo, poeta do inverno, na vida de quem o ama.
Fiquei bastante lisonjeado por me ter citado, mas procure a alegria. Caramba, você é brasileiro!
Com um abraço.

poeta do inverno disse...

o unico ator da minha vida sou eu mesmo, e tenho sim uma identidade que é tambem uma forma de ser brasileiro, mas há em certos momentos um desejo de fugir desta realidade que nos cerca ou mim cerca, quanto a perder e a mim encontrar acredito simplesmente que cada peraca será um encontro diferente e a estação vazia e o retorno e o inicio de tudo...
obrigado poeta do penedo pelas sublimes palavras e como eu disse poeta é uma dadiva ou para você uma caricia