8 de mar de 2010

passante...

Andei colhendo as rosas despetaladas
E regando os lótus que perduravam
Andei procurando um céu azul
Dentro de uma cidade cinza.

Andei resvalando nas pedras antigas
Que foram se acumulando no caminho
E me desprendendo de todo o tempo
Que fez minha vida ser vazia...

Andei pelas terras manchadas
Com o sangue de uma humanidade
E lá encontrei os espinhos cravados
Nos jovens que antes sonhavam...

Andei peregrinando nos templos
Em busca da fé que me acalentava
Mas deparei com o medo humano
De não saber o que era felicidade.

Andei a procura de algum vestígio
Da mulher que amei na infância
E me encontrei com outro olhar
Vago e perdido na lembrança.

sandrio candido.

6 comentários:

Raquel Costa disse...

Amigo poeta, faz um bem danado ler o que escreve! Continue a escrever o mundo com arte! Beijo

Mari Amorim disse...

A arte em solta em tuas palavras,deixa a porta da alma receptiva,liberando o que temos de melhor,o amor
Bfs.
Bas energias
Mari

Juliana Carla disse...

Olá

Toda procura gera contrastes... Logo, desarmonias... Tão mais quando não nos encontramos... Se fica a esperança... Grande alento!

Obrigada por ter visitado o Braille da alma.

Sigo-te!

Bjuxx e xeroo

Poeta do Penedo disse...

Caro poeta do inverno
Este seu belo poema fez-me pensar no quanto a vida nos transforma...por fora, aos olhos de quem há muito não nos vê, porque por dentro, por mais anos que tenhamos, continuamos a ser os mesmos miúdos de sempre. Por isso nos contraímos, por vezes, de surpresa, quando o espelho nos mostra aquilo que os outros em nós vêem.
Com amizade

poeta do inverno. disse...

caro poeta do penedo, durante anos, nos escondemos do espelho do tempo, sempre procurando disfarces,más por dentro sempre somos a mesma pessoa, o que emk nós muda é apenas a fisionomia e as lembranças, o resto é o mesmo.

poeta do inverno. disse...

raquel, mari e juliana, muito obrigado, agora sei que sendo eu apenas passante nada me resta além de procurar pessoas que compartilhem comigo esta pasagem.