10 de mar de 2010

POEMA MUDO.

Necessito de uma palavra
Ainda que seja amargo o degustar
Dos versos de um poema trágico
Ainda que seja triste as paginas
Do livro onde escreveram a vida.


Preciso escrever agora
E cantar a dor de uma nação
Mas meu canto e o cantar
De um errante sofredor anônimo
Meu canto é de todo desesperado.


Mas mesmo que desfigurado
Seja o rosto do tempo vivido
Eu quero por ele passar...
Um dia o olhar úmido da memória
Vai observar o espelho das horas
E desejar rever esta aurora.

Necessito seguir a vida
Um sonho que não sabemos sonhar
Necessito de um véu branco
Para cobrir minha alma doentia
Que em meu ser se fez pensante
E depois passante...

E depois me sento sob o luar
E relembro as lutas e as paixões
E procuro a imagem perfeita
Para chamar de inspiração
E dou ao lento passar dos anos
O mudo poema da vida,

Necessito apenas me embriagar
Com o vinho seco da ilusão...

sandrio cândido.

3 comentários:

Lídia Borges disse...

Não é um poema mudo.

Perpassa dele a sensação de inconformidade, de descontentamento.

O teu poema fala... E muito bem.

Um beijo

Maria disse...

Lindissimo poema, com alma e sentimento.
Bom fim de semana
bjs
Maria

poeta do inverno. disse...

a verdade porem é que as vezes dets necessitamos, pois certas loucuras são aceitas de forma demasiada para que não seja avassaladora a vida.