27 de mai de 2010

Pedido ao tempo.

“Jurei mentiras e sigo sozinho, assumo os pecados.
Os ventos do norte não movem moinhos e o que me resta é só
O Gemido”
Ney mato grosso (sangue latino)
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Despe-me com teu obsceno olhar
Sabes que eu já me entreguei
A volúpia de minha solidão
E agora só me resta perder.

Perder o que me foi dado
Posto que nada me pertence
Toda saudade é tempo
Todo amor é saudade.

Eu que sou um vagabundo
A vagar pelas manhas escuras
Procurando qualquer coisa
Capaz de me fazer pasmar.

Algo que tinja o meu olhar
De um azul sem cinza
Algo que faça a cidade
Se esconder de meu passar.

Porque me olhas com temor
Interroga-me em teu confessionário
E dizes que sou profano
Eu que fui apenas humano.

Somente porque me entreguei ao desejo
Ao amor obsceno de minha Sofia
Será este o meu capital pecado
Posso despir as vestes da vida?

Que me dispa com teu olhar
Com teus dedos de criança
Com tua boca de Afrodite
Com teus passos de bailarina.

Porque só me resta o deserto
Nada alem do deserto
Posto que a chama se apaga
No seu misterioso olhar.

sandrio cândido.

15 comentários:

Sonhadora disse...

Lindissimo poema, um belo momento de poesia.

beijinhos
Sonhadora

Mari Amorim disse...

simplesmente lindo!
saudades,
Boas energias,
Mari

Almeida Lucius ™/ Ulisses Reis ®/Heleno Vieira de Oliveira disse...

Maravilhoso , bom conhecer esse poeta, grende escolha, tenha um noite lindo, beijos !!!

Janita disse...

Olá meu jovem Poeta do Inverno.

Tenho passado por aqui algumas vezes à espera do teu regresso.
Os teus poemas são lindos, mas repassados de um quase desespero.

Este "Pedido ao Tempo" é uma trova de amor perdido, mas como sabes o tempo não volta para trás. Tenta olhar o lado bom da vida e esquece um pouco essa melancolia.

Gostaria de ler algo com mais esperança, fé e optimismo, valeu?

Há sempre um amanhã...

Um beijo da JANITA

M@ria disse...

Todo o amanhecer é mágico,
é a vida que nasce e floresce
orvalhada dando uma nova chance,
mostrando novos caminhos...
_É DEUS dizendo que nos ama.

Valquíria Cordeiro

Feliz Noite de Sábado! M@ria

Dois Rios disse...

Nossa, Sandrio! Você é um poeta de aguçada sensibilidade e delicadeza.

Eu diria que a vida nos veste e o tempo nos despe. Vamos, ao longo do caminho, nos despindo das camadas que nos pesam. O amor fica. É nuvem.

Beijo grande,
Inês

Lara Amaral disse...

Bonito e intenso poema.

Beijo!

Savia disse...

Lindo.

rosa-branca disse...

Olá meu querido poeta, lindo o teu poema, mas tens que interiorizar que a vida é uma luta constante. Tens que lutar pelo que queres mesmo, pois ninguém o faz por ti. Beijos com muito carinho

nina rizzi disse...

vc tem muito a dizer poeta. que bom, que bom...

um beijo.

CANTO GERAL DO BRASIL (e outros cantos) disse...

"De um azul sem cinza"
Belo pedido, Sândrio.

rosa-branca disse...

Olá querido poeta, passei para te deixar o meu carinho. Beijo meu

IVANCEZAR disse...

Eu gostei !
A visão do poeta é única
Seus versos são SEUS
O mesmo tema. o mesmo desafio , os mesmos motes , não só podem, como devem , ser tratados pela mão subjetiva de cada poeta.
Gosto de ver as variações ,lendo muitos autores.
Parabéns !

Juliana Carla disse...

Boa noite amigo!

Dos seus versos destaco estes:

“Perder o que me foi dado
Posto que nada me pertence”

As linhas do tempo, com seu olhar de águia, nos mostra: vida/ juventude; solidão/ morte!

Bjuxxxx e xeroo

Mari Amorim disse...

o vento afaga
o cabelo das velas
que apaga
Bom final de semana,
Boas energias sempre!
Mari