31 de jul de 2010

Confraria dos mortos.

                 I
A antiga paisagem do moinho e da lâmina
juntos em um só retrato
as inicias do quadro são v.m
quem pintou é vida e morte.

A obscura paisagem é cortada
pela lâmina que é tempo
depois há de se moer o corpo
Com aquilo que chama vida
até chegar enfim o pó
com o seu batismo de morte.

Confraria de desígnios imutáveis
recebeste o nome de destino
teces lentamente a biografia
apoiada no passado
para tentar fazer o futuro.

          II
Viver é comungar sentimentos
unir passado e futuro
no batismo do presente.

Viver é aguardar uma rosa
que se desfolha em nosso jardim
porem a negamos
fingimos não perceber.

viver é fotografar o tempo
e revela-lo na face
que embora triste
é a única que possuímos.
              III

Confraria dos mortos
persiga outros
deixe-me pensar o poema
posto que sou jovem
imaturo
e ainda posso grafar a vida.

Deixe me pensar o tempo
reconstruir o Brasil
grafar Lisboa e Portugal
deixe me lutar pela paz
que há de habitar Israel.

Não desfolhe a ultima pétala
desta rosa que chama de vida
se acabar as pétalas
deixe me viver com os espinhos.
                IV

Pensar a rosa
desfolhar
tempo e morte
poesia
tudo será antes
o que eu vivo
e o que eu vivo
é o que chamam de vida.

              sandrio cândido.

10 comentários:

Nirton Venancio disse...

Caro, obrigado pela visita ao meu blog.

http://notaderodape-marcelo-novaes.blogspot.com/2010/07/marcelo-conversa-com-nirton-venancio.html

José Carlos Brandão disse...

Poema sugestivo, Sandrio.
Viver é buscar a rosa! É ansiar pelo essencial.
Abraços.

Cris de Souza disse...

Esse poema levanta qualquer defunto...

Beijos, poeta!

Poeta do Penedo disse...

Amigo Sandrio
confraria: lugar de irmãos. Na realidade a vida e a morte são irmãs, irmãs opostas, mas irmãs. Uma dualidade onde o poeta vai beber. Quanto mais sentir a sombra da morte, mais profundo será o seu canto à vida.
Com amizade.

Lara Amaral disse...

"Viver é comungar sentimentos
unir passado e futuro
no batismo do presente."

Parabéns por tão sábios versos.

Beijo.

Sandrio cândido. disse...

obrigado a todos pelas palavras, cris os mortos andam esquecidos, já não há mais luto. e este tema será um dos meus proximos poemas.

Luana Furtado disse...

Amei seu blog meu querido... seus poemas são lindos... eu fiz um blog tbm.. entra lá pra ver... bjs

Insana disse...

Negar é um fofrimento mais demorado.

bjs
Insana

Mari Amorim disse...

Gosto de seus escritos.
Boas energias,sempre!
Mari

Dois Rios disse...

Belo Sândrio! Muito belo!

Viver é desfolhar e cingir o tempo de uma só vez. É ser muitos num só inteiro. É morrer completo.

Beijo, meu querido!

Inês