28 de ago de 2010

Anos

Queridos leitores deixo neste fim de mês mais um poema, no proximo mês talvez venha outro. abraço a todos vocês poetas virtuais e reais. Como viver sem a poesia da vida?




I



Todas os relogios se desprenderam
[das paredes do templo]
inevitavelmente depus meus sonhos
sobre a cruz que se ergueu no altar.


Minha criança porque estás a rir
do idoso que te abraçou
se um dia tu tambem serás
a sombra do que já passou.
                              
                                 II

O tempo passou por aqui
apagando a chama do castiçal
encobrindo a tarde com seu luto
vertendo em morte o dia final.

Olho para a amanhecer
vejo entardecer os meus dias
De tudo o que passei, restou
aquilo que aprendi do que fui.

Não me basta fechar as gavetas
se a saudade ainda pulsa em meu ser
não me basta deixar a criança
se uma alma sempre habita-me.
                       
                          III
Despoja tua memoria do futuro
esqueça o presente ele é inexistente
também ele já é enfim passado.

Cubra te com este lenço azul
teu rosto já não é o mesmo
ainda que aparentes o mesmo brilho
                          [da tua amada juventude.]

Superficial como o véu
que cobre as rosas brancas
sim, este rosto é superficial
porque foi tecido com o bisturi.

De todos os tempos e estações
resta nos a marca profunda
grafada no rosto da velhice.


Mas tu, com a vaidade das vaidades
acabou por destruir a poesia do tempo
resta te o papel desfigurado.
E agora, valeu a pena tudo o que fez?
senão valeu, refaz, acabe com o bisturi.
                        VI
Porem do tempo que temo
e do tempo que passo
sei que posso afirmar
que es apenas vaidade
diz a palavra eclesiastica.

                                          sandrio cândido.


palavra eclesiastica- do livro dos eclesiastes que resume a vida em vaidade. Biblia sagrada.


10 comentários:

Lara Amaral disse...

A passagem do tempo na poesia não existe, o versejar é sempiterno.

Já estava com saudades de seus versos tão bem tecidos.

Beijos.

Insana disse...

o tempo não existe quanso se trata de poesia.

bjs
Insana

CANTO GERAL DO BRASIL (e outros cantos) disse...

Sândrio,
Sim, somos uma sombra fútil chamada gente, também dizia outro poeta...
Prazer gastar o tempo aqui, amigo...

Abraço passando,
Pedro Ramúcio.

Mari Amorim disse...

Caro amigo,
que bom que voltou
boas energias,
Mari

Janita disse...

Meu querido e jovem Poeta.
Fico muito feliz por continuares a deliciar-nos com a tua bela poesia.
Obrigada pela tua ida ao meu cantinho.Fiquei muito emocionada com tudo o que de bom me desejas. Que a vida também te proporcione toda a felicidade que mereces.
Seja qual for o rumo que dês à tua vida, arranja sempre um pouco de tempo para continuares entre nós.
Beijinho amigo da Janita

O SEGREDO DOS ESCRITORES disse...

olá!
tudo bom???
muito prazer,me chamo Augusto César...
gostei muito do seu blogger. show de bola!
estou lhe seguindo,me siga também???
http://osegredodosescritores.blogspot.com/

Patrícia Lara disse...

Olá, Sandrio.

Bela sequência de poemas! Um mais lindo que o outro!

Abraço,
Patrícia Lara

Poeta do Penedo disse...

Viva caro amigo Sândrio
que bom que foi revê-lo, activo, na minha comunidade.
A cada segundo que passa, o tempo nos afasta um segundo mais da juventude. Nunca nenhum jovem imaginou ontem,imagina hoje, ou imaginará amanhã, que a velhice, essa coisa medonha, e que fica nos confins do tempo, um dia o abraçará. Mas a poesia, feita hoje, será tão jovem como o haverá de ser, quando os dedos jovens que a escreveram estejam minguados de idosos.
Muita felicidade para si.

CANTO GERAL DO BRASIL (e outros cantos) disse...

Sândrio,
Depor os sonhos, é tão difícil isso...
Fácil é te ler, e grácil também...

Abraço alado,
Pedro Ramúcio.

Sílc disse...

Sândrio que lindo sua Poesia. E, termina com chave de ouro: Eclesiaste. Amo Capítulo 12, versículo 1. E també o capítulo 7 inteiro.
Fica um convite que faço com profundo respeito:
Nova Postagem na minha Casa.
Espero sua visita, e um retalho se desejar. Será uma honra ve-lo passear por lá.
com amor e carinho,
Sílvia
http://www.silviacostardi.com/