4 de ago de 2010

castiçal do amor.

Aceso sobre os altares do templo
sua luz emana das mãos suaves
que tenta compor a musica do tempo.

Nota por nota, palavra por palavra
como se reconstruísse a memoria
da cidade que um dia habitou.

Hoje ele habita uma ilha, as vezes
                           [ ele sente ser uma ilha]
mas seus habitantes não povoam o nada
misturam se a canções que esperam
                                [ o momento de ser escrita]

Escolhe a palavra amor, toma um vinho
para esquecer que já amou alguém
amou tanto que seu amor verteu-se
                             [ no grande devaneio de sua poesia]

Cata as palavras e anota em seu caderno
abre a gaveta e olha uma foto antiga
lembra se do giz e do beijo quase desértico
lábios molhados secos pela indiferença.

Deixa se embriagar pelo olhar contemplativo
vê nos olhos o reflexo da lua, luana,
deixa que seus lábios toquem o papel
já não canta, vive a musica composta.

Sente no papel o sangue, a dor do adeus
arquiteto de castelos e templos profanos
planeja escapar pela janela, única saída,
mas se depara com um jardim de rosas.

Colhe uma rosa, vê nas mãos as feridas
que deve está mutilando o coração
sente o perfume, sente o tocar das pétalas
já não é rosa, é lua, é lembrança, é luana.

Acende no castiçal  do tempo a vela da paixão
quando apaga
lembra que era amor
escolhe a flor
a palavra
dedilha no instrumento de ritmos interiores
a canção que o sentimento compôs.
                    

             sandrio cândido.

4 comentários:

Janita disse...

Parabéns meu jovem e querido poeta.
Mantem sempre acesa a chama desse castiçal e esse lirismo especial, que torna os teus poemas tão belos!

Lara Amaral disse...

O sentimento que escreves está em cada gesto, no desabrochar dos objeto.

Belo, Sandrio!

Beijo.

Insana disse...

Viver o Amor é como viver em um escuro, castiçal imumina os passos de cada dia.

Bjs
Insana

Cris de Souza disse...

Essa chama é um primor!
Do tipo que acende as dormências...

Beijos.