23 de out de 2010

Fragmento imagem

a jerê e a lara amaral.

I

De inicio, o tempo cronometrado
com seus relógios e sinos.

Pêndulos cintilantes e ponteiros.
a musica a tocar
nas mãos do musico fotografo,

Em um instante tudo se acaba
a luz se desfaz no cinza urbano
como se desfaz a foto
depois que os anos a transcende.

Captada a fotografia, o templo
que se ergue entre as pedras
o metrô, a estação, uma rosa
a furar o asfalto.
Na sé
alguém ler drummond.

II

Depois o fotografo
suas vestes são os mesmos véus
que cobrem seu pensamento.
difícil tarefa de captar em imagens
o sentimento de mundo.

O fotografo a romper muros
dispersar noticias
documentar o tempo
o progresso de uma nação
o fotografo a tomar vinho.

O fotografo a construir diários
tecendo poemas em imagens
transcedendo suas arquiteturas.
III

Depois o poeta,
o que dizer do poeta
nada resta ao poeta
ele se despe quando se veste
e se veste quando se despe.

Como chegar ao poeta
sua mente estranha
seu teatro de arena
suas paredes
seus símbolos
o poeta já conhece as imagens?

O poeta a se exilar no tempo
escrevendo para o amanhã
posteridade
poemas que se dispersam nas vozes
poema que era silêncio.

IV

Ambos são apenas um
poeta, fotografo, musico
palavra, imagem, vida...

Tão doce caligrafia
escrita a giz
na tua calçada.

Depois a tua biblioteca
um cão mudo a porta
será esta casa teu templo.

Sagrado, profano,
corpo humano.

A arte da vida
a imagem urbana
o sentimento
tudo é apenas
fruto da tua câmera.

caligrafia,
fotografia
tempo
poesia.



sandrio cândido.

10 comentários:

Lara Amaral disse...

Descrições tão bem travadas entre você e o mundo das artes.

Obrigada por me dedicar mais uma vez um de seus belos escritos, Sandrio. =)

Beijo!

Sonhadora disse...

Meu amigo
Uma descrição verdadeira de sentires neste poema...quem é poeta sabe o que sente.


O poeta a se exilar no tempo
escrevendo para o amanhã
posteridade
poemas que se dispersam nas vozes
poema que era silêncio.

Lindo

Sonhadora

Insana disse...

perfeito na forma de descrever.

bjs
Insana

Janita disse...

Querido Poeta.
Por vezes vemos a vida passar-nos ao lado e por mais que queiramos, não a conseguimos agarrar.Pelo menos, da forma que precisamos e gostaríamos.

Há uma profundidade na tua poesia que denota uma evolução e um amadurecimento espiritual e criativo.
Parabéns, meu querido e jovem poeta.
Beijos con carinho.
Janita

Sandrio cândido. disse...

Qurida lara a descrição só pode ser perfeita quando se ama o que se faz e janita a espiritualidade é algo que eu cultivo de forma muito especial.
acredito que o silêncio dos templos católicos é algo admiravel, só no silêncio se encontra a espiritualidade verdadeira.
saudações a ambas.

Rita de Cássia disse...

grande poeta
caligrafia
fotografia
luz
som
movimento!
senti-me dentro do poema
bjos carinhosos
saudades de vc

Marinha disse...

Lindo! Simples e tão intenso!
Saudações poéticas,
www.construtoradepalavras.com.br

Altos Sussurros disse...

Gostei da sinceridade com que este texto foi escrito, o jeito como envolve-se com o mundo das artes é encantador, rapaz.

Tua leitura me transmite bem estar, beijos.

Seguindo, passarei sempre que houverem novidades por aqui.

Mari Amorim disse...

Parabéns!
Tenho um duplix,espero que goste,doçuras e travessuras
Boas energias
Mari

Poeta do Penedo disse...

Caro Sândrio
Que beleza! A vida é um palco, onde decorrem várias peças de teatro, que têm por cenários imagens de imagens, poesia, música, luz, severidade, alegria, mesquinhez e felicidade. Os actores, quantas vezes interpretam os seus próprios papéis, não tendo de corar nenhum, pois as personagens são eles próprios, interpretando no palco da vida as falas por si escritas. Estamos numa constante representação. E pela objectiva do artista, momentos vazios de interesse e importância, poder-se-ão tornar eternos.
Belo poema, meu amigo.
Um abraço.