20 de jan de 2011

Caminho.



Debruço-me. Ao olhar os cacos do espelho
jogados sobre as rosas, pergunto-me:
qual escolherei daqui a alguns  anos
quando já não houver faces a colecionar.

Cumpro na carne o Destino da morte.
tal como um sol a deitar no poente
sobre a sombra da noite, o ultimo raio.

Meus olhos enxergam além do véu
quando os caules se transmutam
e nos jardins surgem rosas...

Pouco a pouco deito no palco  a cortina dos futuros.
cubro-a com  os lençóes da eternidade.
projeto uma luz   tão bela quanta a aurora
um dia descobrir-me  e eu era um místico. 


Velo a palavra almejada. A carne é pétala
e o resto é perfume, essência do tempo
a pairar nos ares da poesia.
Uma pedra guarda o segredo dos secúlos.

Cumpro o destino da morte no tempo.
Na morte cumpro o destino da vida
e na vida cumpro o destino da sorte.
Na sorte cumpro o destino da fé.

Sandrio cândido.

6 comentários:

Lara Amaral disse...

Seguimos cumprindo os nossos papéis, mas sempre haverá o indefinido para se esbarrar e nos fazer cumprir uma nova jornada.

Beijo, poeta.

Raquel Costa disse...

DEMAIS!

Juliana Lira disse...

Fico feliz de ver que já voltou!Sempre belos teus poemas, fico em extase e sem palavras,tamanha elegância, delicadeza e sentimento.

Milhões de beijos

Sandrio cândido. disse...

Sim lara e é neste indefinido que eu encontro a matéria essencial para continuar a escrever e a viver este tempo.

Sandrio cândido. disse...

Juliana a felicidade é minha em saber que existe pessoas que leem e que gostam. afinal para que serve o poema que fica guardado nas gavetas, nos livros sem que ninguem os leia.
abraços

Sandrio cândido. disse...

prazer em receber te raquel. seja bem vinda.