24 de jan de 2011

Imutável poema.

                                                                  
                                                                              I
Casa se as palavras, beijam-se
em um ato mudo
confessional.

Já não habitam a crosta do silêncio
mas enamoram-se, as palavras e o poeta
ambos findam no tempo
a eternidade das suas horas.

Diz-me que ama-me
direi-te que o amor não é carnal
que o amor não conhece tempo
que o amor não prende o objeto nas teias do desejo.

Mas insiste em declarar-me
que não podes viver sem mim.
mal sabes tu que o corpo presente
é símbolo de ausência
pois o corpo não ama, entrega-se.

Em um ato de desespero,entrega-se
possuindo se nos desejos
mas a mente não faz sexo
e o coração não conhece volúpia
   
  II
Sua pele ainda vive em mim
fragmento
mas a essência de tudo esvaiu-se.

Seu corpo habita os retratos
os meus fetiches
más já não habita-me como outrora
o sentimento que possuímos.

O amor não cabe num poema
não cabe em um desejo
pois amor é essência de uma rosa
que fica guardada na lembrança.
   III
Beija-me, possui-me na tua volúpia
mas contente-se com isto
porque verás ao vento as pétalas
mas jamais terás o meu ser...

Escreves em teu caderno o poema imutável
alguém há de ler e saberás que o amor
tem estas estranhas faces...

A primeira é feita de alma
                    [e não conhece o tempo]
a segunda é feita de carne
                   [ esta perde-se na sombra do tempo]
esvai-se nos desejos, na ausência.

Saberá um dia o poeta lidar com o amor
pois o amor é um poema a procura do poeta
para enamorar, para enfim casar-se
e já não viver apenas o signo dos desejos.



                                                                       sandrio cândido

15 comentários:

Arianne Carla disse...

Sandrio, que lindo poema! Versos ricos e estonteadores! Muito bom.

Sandrio cândido. disse...

Obrigado arianne.

CARLA STOPA disse...

Adorei teu espaço...

Jenuíno disse...

Muitoooooooooooo bom teu espaço... estou seguindo!

" E seguirei as palavras que me motivam..."

Um abraço do Rafah!

laura disse...

Pobres dos poetas
que descobrem o amor
escrevendo entre frases
obsoletas
e sentindo na alma
a chama ardente
mas que do poeta
fica ausente...

Olá amigo; somos poetas armados de pena e papel,cantamos vivas ao amor mas a vida trata-nos como ouro e cinzel...
Poeta ama, e quase nunca é amado, ou então quando é amado, é quase sempre o amor errado,,, e eu que o diga.

Um beijinho da laura

Colecionadora de Silêncios disse...

Olá, Sandrio.

Vim deliciar-me com a sua poesia, sempre tão bela e sensível. :)

Adorei!
Beijos

Sandrio cândido. disse...

Obrigado patricia e lara pela passagem e pelos coméntarios sempre tão gentis.

Ana Larissa disse...

Você escreve com tamanha leveza que parece que as palavras abraçam a gente, nos tiram pra dançar.

Muito bom! Parabéns!

Sandrio cândido. disse...

Ana larissa, obrigado.

Priscila Rôde disse...

"mal sabes tu que o corpo presente
é símbolo de ausência
pois o corpo não ama, entrega-se."

Sabedoria!

Sandrio cândido. disse...

Escolheste bem priscila, uma verdade imutavel e pertubadora.

Camila Lourenço disse...

"(as estranhas faces que o amor tem:)
A primeira é feita de alma
[e não conhece o tempo]
a segunda é feita de carne
[ esta perde-se na sombra do tempo]
esvai-se nos desejos, na ausência."

Que rico e intrigante poema...
Parabéns!
Beijos!

Ana Cristina Cattete Quevedo disse...

Sandrio
O casamento do poeta com as letras transcende a volupia, o desejo carnal.
Um mistério que ainda me domina por completo.

Lido poema

:)

Tania regina Contreiras disse...

...o amor não prende o objeto nas teias do desejo....

Penso que o amor tem muitas faces, Sandrio. E que, sim, o Amor, assim grafado, é libertador.

A bertura do teu poema é um arraso. Tua escrita é de uma leveza impressionante. Teu talento, inequívoco. Bom te ler...
Beijo,

marlene edir severino disse...

"O amor não cabe num poema
não cabe em um desejo
pois amor é essência de uma rosa
que fica guardada na lembrança."

E a rosa não precisa ser nada mais que simplesmente ser
rosa!

Abraço, Sandrio!

Marlene