25 de fev de 2011

Castiçal do amor. {reeditado}

Aceso sobre os altares do templo
sua luz emana das mãos suaves
que tenta compor a musica do tempo.

Nota por nota, palavra por palavra
como se reconstruísse a memoria
da cidade que um dia habitou.

Hoje ele habita uma ilha, as vezes
                           [ ele sente ser uma ilha]
mas seus habitantes não povoam o nada
misturam se a canções que esperam
                                [ o momento de ser escrita]

Escolhe a palavra amor, toma um vinho
para esquecer que já amou alguém
amou tanto que seu amor verteu-se
                             [ no grande devaneio de sua poesia]

Cata as palavras e anota em seu caderno
abre a gaveta e olha uma foto antiga
lembra se do giz e do beijo quase desértico
lábios molhados secos pela indiferença.

Deixa se embriagar pelo olhar contemplativo
vê nos olhos o reflexo da lua, luana,
deixa que seus lábios toquem o papel
já não canta, vive a musica composta.

Sente no papel o sangue, a dor do adeus
arquiteto de castelos e templos profanos
planeja escapar pela janela, única saída,
mas se depara com um jardim de rosas.

Colhe uma rosa, vê nas mãos as feridas
que deve está mutilando o coração
sente o perfume, sente o tocar das pétalas
já não é rosa, é lua, é lembrança, é luana.

Acende no castiçal  do tempo a vela da paixão
quando apaga
lembra que era amor
escolhe a flor
a palavra
dedilha no instrumento de ritmos interiores
a canção que o sentimento compôs.
                    

             sandrio cândido.

9 comentários:

Jeniffer Haddad disse...

Lindo!

Colecionadora de Silêncios disse...

Magnífico poema, meu amigo querido.

Seus versos ecoam no tempo e no espaço e nos transporta a lugares inimagináveis!

Lindo!

Beijos e tenha um ótimo fim de semana. :)

Almeida Lucius ™/ Ulisses Reis ®/Heleno Vieira de Oliveira disse...

Bela reedição, que construção, gosto muito do teu estilo, parabéns, e um abraço!

Insana disse...

Forte..

bjs
Insana

C. disse...

Uma total devocao.
Esse verso é como uma escultura de palavras.

CARLA STOPA disse...

Ainda ouço a canção que o sentimento compôs...

Arianne Carla disse...

Como sempre, escritos intensos e deslumbrantes, não é, Sândrio?

Fernand's disse...

o amor nos faz.




tendências.
abçs.

Daniel Hiver disse...

quem escreve com o coração sempre sente a dor maior no papel.