12 de fev de 2011

Da morte.

                                                                                          
                                                 Sei  que determinada rua que eu já passei não
                                          tornará a ouvir o som dos meus passos...
                                         ...A morte surda caminha ao meu lado e 
                                                   eu não sei em que esquina ela vai me beijar....
                                                                                       Raul Seixas.

Sei que o poema há de pairar no ar 
quando o verso metrificado 
for jogado na poeira do tempo. 

Nada nos resta, senão recolher na tarde 
o silêncio de nossas auroras. 
Tudo é sombra imutável
de poemas grafados na eternidade. 

Podemos colecionar faces 
o que não podemos 
é retornar ao mesmo lugar 
jamais vive-se o mesmo instante. 

Usamos bisturi,mas a mão que escreve 
é guiada por Deus 
destino triste este de padecer 
sobre a sombra do que vivemos. 

Podemos fugir,declarar nos livre 
mas o poema da vida terrena 
é metrificado pelos ponteiros 
dos estranhos relógios cintilantes. 

Só o verbo sabe conjugar-se 
antes que os homens o alcancem 
com os olhares poéticos 
na longa cortina da eternidade.  

Estranha época a nossa 
morremos em nossos pensamentos 
já não se vive,passamos pelo tempo, 
O  mesmo que sempre nos falta.

Da morte. Sabemos que é fim. 
Que é poema nunca  escrito 
pois é pensado e grafado 
nos resquícios da eternidade.

Assim é a morte. 
É vida. que desconhecemos, 
sob a inútil sombra daquilo 
que os retratos aprisiona. 

Corpo, sob tu estás a alma
que os retratos não capturam 
apenas o poema consegue olhar.
Imagens, é no vazio que padecemos. 

Sandrio cândido. 


21 comentários:

Leonardo B. disse...

[e como citava Thoreau, Raleigh:

"Daí sermos raça de coração encourado, suportando sofrimentos e cuidados
Comprovando a natureza de pedra em que nossos corpos foram entalhados"

... filhos dos absurdos oráculos]

um imenso abraço, Sandrio

Leonardo B.

Regina Ribeiro disse...

Ah! a morte, não quero estar lá quando ela chegar. :D
"Podemos colecionar faces o que não podemos é retornar ao mesmo lugar jamais vive-se o mesmo instante." É difícil ouvir e compreender isso, mas é a pura e cruel realidade.

Amei a sua forma de escrever, e desde já estou recomendando você aos meus leitores.
Beijos e Tudo de bom!!

Luiz Guilherme disse...

a morte é algo que simplesmente dissolve a carne em nada, e prova que a alma é mais válida.

http://guilg7.blogspot.com/

vlw...

Lara Amaral disse...

Muito bonito e bem construído o seu poema, Sandrio.

E essa música citada do meu ídolo é a minha preferida dele!

Beijo.

Janita disse...

Tens toda a razão no que disseste no meu cantinho, meu querido amigo Sandrio.
Escrever poesia é filosofar sobre as coisas belas da vida e fazê-las chegar ao coração de quem as lê.
Porque será isto tão difícil a certas pessoas entender?))

A tua presença é um grande estímulo para mim, querido Poeta.
Bem-hajas!
Beijo com todo o meu carinho
Janita

Suzana Martins disse...

A morte, a continuidade da vida!!!

Belos versos

Beijos

Maria Marluce disse...

Morte e vida se confundem que às vezes temos a sensação de que uma é continuidade de outra. Em teu poema, traças cada linha tão delicadamente bem sobre a temática que nos embevece.

Ítalo do Valle disse...

Que verdade linda essa, apenas o poema consegue olhar a alma!

Lindos versos os seus!

Um grande abraço!

Máh disse...

Conhecendo teu espaço ..
sorvendo tuas palavras ...

bjs

Janita disse...

Querido Sandrio.
Pois eu amo Deus, amo meus filhos, meus netos, amo a vida e meus amigos,por isso, não sendo uma namorada sou...uma enamorada!
Beijinhos
Janita

Cláudia Matos disse...

É lindo mas um pouco melancólico.
Gosto*

Canteiro Pessoal disse...

Morte e vida sempre em pauta.

Abraços

Priscila Cáliga

O SEGREDO DOS ESCRITORES disse...

show de bola o o trecho do Raul Seixas..abraços!

Poliana Fonteles disse...

Muito Lindo! da para ver a alma daqui...

Cáh disse...

"Corpo, sob tu estás a alma
que os retratos não capturam"



que somos, se não coisa bela e gigante presa num punhado de carne?


Um beijo

Renata Fagundes disse...

Questionamentos da vida sobre a morte
transbordando poesia

beeeeeijo moço

A Escafandrista disse...

"os retratos não capturam
apenas o poema consegue olhar". Lindo, Sandrio!

Luiza Maciel Nogueira disse...

No vazio que padecemos - versos de poeta - de fato

Beijos

José Carlos Brandão disse...

Sob a cinza, brilha a brasa.
Um grande abraço.
Brandão

Edenilson disse...

Sandrio é uma honra imensa estudar com voçe.
seus poemas filosóficos tocam no fundo da alma e eu continuo afirmando que a tua vocação não deveria ser saserdotal e sim poética

Sandrio cândido. disse...

Obrigado Edenilsom, mas discordo discordo de ti, o segredo é saber unir a vocação sacerdotal com a vocação poética.
abraços