18 de fev de 2011

O poema.


Recolhe do chão teus versos nunca escritos 
é preciso que se demore sobre a caneta 
não te importes com o cintilar dos ponteiros 
antes faça te surdo para o tempo insano. 

Não esqueça que a poesia jamais habita 
nestas palavras que tua mãos calejadas 
pensa escrever no caderno de capa dura.
Poderás tu aprisionar a palavra poética? 

A poesia habita os olhares dos passantes
nas entrelinhas do poema,onde o olhar 
silencioso do poeta não conseguiu penetrar 
e assim a poesia escapa a suas mãos. 

Recolhe do outro mundo, inconsciente 
as palavras mudas, permita que elas te firam 
com o olhar duro de quem sabe que a vida 
é também um pesado fardo de pedras.



Sandrio cândido.

16 comentários:

Lara Amaral disse...

O poeta sabe da dor do mundo, versos profundos todos falam da dor.

Beijo.

Annie disse...

A palavra não , os sentires talvez...

Lindo poema...

beijooos

C. disse...

Escrever sao emoções vagando pelo coração e pela alma...

Obrigada pelos votos de aniversário!

deixo um beijo,
Cris

LUCIUS (∆Ω) disse...

MUitas coisa são um fardo, mas a vida continua, neste poemas não estava muito para o alto teu astral, mas tudo é passageiro, só o cobrado e o motorista fica!!!
Abraço!

Ítalo do Valle disse...

"...faça-te surdo para o tempo insano"

Belíssima poesia!

Um grande abraço!

Lúu Almeida disse...

Vejo que temos um poeta entre nós. =D
Muito, muito belo. Obrigada pelo teu carinho de sempre. Bom final de semana e um super beijo.

Flores!

Priscila Rôde disse...

"A poesia habita os olhares dos passantes
nas entrelinhas do poema,onde o olhar
silencioso do poeta não conseguiu penetrar
e assim a poesia escapa a suas mãos."

Sandrio, não sei o que comentar! Que dom lindo!

IVANCEZAR disse...

Um poema com forte inspiração em Drummond - que atinge seu objetivo e vai fundo no leitor. Parabéns !

Fernand's disse...

só pode escrever quem sente.



bjs meus

Camila Lourenço disse...

Caraca Sandrio,que texto/poema lindo!

Sim, a vida é cheia de pedras tb, e a gente faz delas o nosso castelo qnd aprendemos a aproveitar o que de ruim nos acontece!

Beijo meu querdo!

CANTO GERAL DO BRASIL (e outros cantos) disse...

Sândrio,
Versos nunca escritos: trago leve em mim a sensação desse pesado fardo de pedras (no meio do caminho), poeta...

Abraço poético,
Pedro Ramúcio.

Cáh disse...

que coisa mais linda....

a poesia existe onde não existe explicação.



Um beijo

Cris de Souza disse...

quanta profundidade nessa existência...

beijo!

Luiza Maciel Nogueira disse...

muito profundo, pedras no caminho, pedras no olhar

beijos

Maria G. disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Maria G. disse...

"Toda a gente sabe
que um poema cabe
numa caixa de fósforos vazia

e que a caixa fica cheia
porque um poema também alumia
e incendeia"

Cláudio Lima in Itinerâncias

M.G.