22 de fev de 2011

O silêncio da poesia.

                                                                              Já não se canta mais, já não se evoca
                                               a poesia está muda
                                                                     nobremente sepultada no dilúvio 
                                                                                   Que purifica e destrói  o brasão dos fatos. 
                                                                     Mariana  Ianelli. 


A poesia calou-se, em seu sepulcro ela deitou-se
e no epitáfio deixou grafado seu ultimo canto.
                                                                          
Dizia dos amores e da memória. Cantava-se
o peso de ser carne e a leveza de ser alma.
Dizia dos beijos, das possibilidades e dos acasos
e ao canto da poesia ia se juntando as coisas...

As mãos de alguém  procuram nas calçadas
vestígios de palavras esquecidas em meio a liquidez.
já não se canta, já não se evoca uma palavra
apenas se olha distante- disfarça-se o presente.

A poesia caiu em seu próprio lamento
emergiu no  prazer superficial do instante,
na força da técnica e os poetas pouco a pouco
tornaram se grandes matemáticos.

A poesia disfarçou sua sensibilidade e vestiu-se
com o vestido da modernidade
largou para os cantos seu dever primordial
de ser a arte de pensar " com o sentimento."

A poesia ficou como uma rosa na cidade
em meio ao cinza despercebe se sua utilidade..
Em seu canto junta se o luto
e o canto desesperando da modernidade.



sandrio cândido.

9 comentários:

A Escafandrista disse...

Vejo hoje a poesia gritar em meio a muros, asfalto e concreto. Sonâmbulos vagam pelas ruas sem dar-se conta de que jaz em cada esquina uma poesia.

Que inspiração, Sandrio! muito lindo, parabéns.

Janita disse...

Querido Sandrio.
Enquanto houver seres humanos lindos de sentimento e amor, como tu, a poesia nunca será silenciada.
Magnífico poema, meu querido amigo.
E tu estás bem? Do coração desejo que sim.
Beijinho para ti com carinho.
Janita

Clara Margaça disse...

deixa que o teu peito cante a poesia que corre nas tuas veias.
obrigada pelas palavras simpáticas
um beijo no coração

Aleatoriamente disse...

E como ela a poesia se veste bem!
Lindo Sandrio.

Beijo

Renata Fagundes disse...

poesia da alma não vira concreto meu amigo

beeeeeeeeijo

Daniel Hiver disse...

Tantos matemáticos que se apresentam como poetas.
Talvez não conheçam os números das próprias perplexidades.
Talvez tenham reação e pensam que é equação!

Almeida Lucius ™/ Ulisses Reis ®/Heleno Vieira de Oliveira disse...

Maravilhosa poesia, que no silencio grita, valeu, tenha uma bela tarde, um abraço!

Camila Lourenço disse...

Profundo Sandrio, muito profundo.
Mas sabe, a poesia não cala nem morre não.Ela renasce todo dia qnd um coração bate por amor.
Já ouviu Teatro Mágico?Em várias músicas eles gritam:"A POESIA PREVALECE!" e eu sempre me arrepio. Sabe pq?De um jeito ou de outro, as coisas estando indo bem ou não, a poesia sempre prevalece mesmo.Ela está em tudo que vemos, é só olhar com os olhos do coração.

Beijo!

José Carlos Brandão disse...

O silêncio da poesia é como o silêncio de Deus - esse verbo de Deus que muitos não querem escutar, que este mundo da pressa, este mundo artificial em que vivemos recusa-se a ouvir. Talvez seja aquele ponto em que só Deus é possível. Não há mais nenhuma outra alternativa.
Abraços.