14 de mar de 2011

Filosofia.[reeditado]

                          I
No meio das pedras que compõem a rua
Chão de poemas invertidos,
Um homem escava o solo concretado.

Lateja no ventre da terra o poema sucumbido
Nas horas maquinarias da academia.

A faca do progresso pouco a pouco 
Molda o pensamento dos homens.
Já não se olha a flor que evoca

A certeza de padecer sob a crise
O silêncio gritante de alguma utopia. 
                
                      II
Os homens de meu tempo se acomodaram
Na leveza de ser o que se pode ser
Esquecem as possibilidades de ser
Aquilo que desconhecemos do Devir.

Os homens de meu tempo padecem
Do mal de não pensar a vida
difícil tarefa para os modernos químicos.

Procura se sentido e nada se encontra 
Porque aqui tudo é passageiro.
A realidade não é passiva de mudança
Quando a utopia não habita o desejo humano. 

Embalsamaram nossos corpos como minutos
Aprisionados  em uma fotografia
Estranhamente deram o nome de liberdade
Ao consumo que a vitrine prometia.

        II
É preciso ater se aos versos
nas entrelinhas
lá reside a resposta,
_A filosofia.

Nenhuma solidão nos finda
Se a ideia de mundo
Ainda nos habita.

A única verdade existente
É feita de muitos porque
Penosa é a tarefa de pensa-los.

No meio da rua um poema se arrasta
Procura esconderijo,
Evoca a saudade,

Desata o nó das gravatas
Para depois deita-las ao lixo. 

Nos bolsos se mistura as cédulas
Desfaz se no tic tac apressado
Acidenta-se com o poeta urbano...

sandrio cândido.


4 comentários:

Janita disse...

Meu querido Sandrio.
Antes de mais deixa-me dizer-te que tu pertences ao grupo das pessoas mais maravilhosas que existem na face da Terra.
Tens um coração puro e lavado.
Medo do Mundo, talvez...mas quem não tem?

Achei a tua "Filosofia" um pouco triste, Sandrio.
Já fizeste os votos? Certifica-te bem daquilo que o teu coração quer e peço a DEUS que te ilumine nessa escolha decisiva.
Mando até ti o meu abraço fraterno e o meu carinho.
Janita

Long Haired Lady disse...

Nenhuma solidão nos finda
se a idéia de mundo
ainda nos habita.

PERFEITO!

A Escafandrista disse...

oi sandrio. lindas poesias, sempre me sensibilizo qd venho aqui. bela escrita, póética, doce... obrigada por escrever. bjs

Malu disse...

Sandrio,


Muito belo seu texto poético.
Desejo uma Noite de Paz ...