23 de abr de 2011

A palavra


No silêncio da poesia ouço a voz das crenças 
dos sentimentos, do anseio de algum poeta
ouço o eco da solidão na entrelinha 
do poema  cinza sob a velho livro. 
                                                    
                               Escrevo, amada Carol, escrevo
talvez só me  reste buscar a palavra
pois já o evangelho diz em seu prologo
que o verbo carne se fez e entre nós habitou. 

Mas a palavra me trai, ela me escapa as mãos
e só fica-me a voz de um olhar...
a fuga da palavra desperta os sentimentos 
que não cabem dentro de um poema. 

Oficio das letras, trabalho arduo com a palavra
esculpo no caderno o vazio que há em mim 
o que sou, o que não sou, o que não sei ser
tudo transmuta se em grafia- nada escapa ao verso. 

A palavra me toma, me ergue do pó 
com ela assumo a narrativa da vida 
a solidão das coisas que me habitam 
só sei que escrevo a minha vida em uma poesia.

Na palavra me perco e me encontro
me divido entre os pedaços
que inevitavelmente são levados pelo grande poema
a qual deram o nome de tempo.
Sandrio cândido

12 comentários:

Long Haired Lady disse...

com a palavra se constroem impérios, mudam-se destinos, se destina um amor!

A Escafandrista disse...

escreves a tua vida numa poesia ou escreves a poesia da tua vida? rs
bjs, querido. feliz páscoa.

нєllєи Cαяoliиє disse...

a palavra é a busca do desconhecido para o conhecido,é explorar lugares jamais explorados sem sair de seu próprio lugar...quão poder tem as palavras ein?rss
Uma ótima semana para ti!
Um Beijo

Geladeira disse...

Como dizia Clarice Lispector :

A palavra é o meu domínio sobre o mundo.

Bjs

A Escafandrista disse...

Sou Rafaelle Benevides. Bjs e boa semana.

Fernand's disse...

a palavra, nessa e em muitas horas, é mais que uma companhia, uma salvação.



abçs.

por Rapha C.M. disse...

Passando para conhecer o blog...
E adorei suas tão bem escritas palavras!
Um Abç!

Patrícia ♥ disse...

Que lindo o seu cantinhoo..
adorei aqui!!

estou seguindo..
retribui??

beijios
http://pathyoliver.blogspot.com
http://momentosdapathy.blogspot.com

Janita disse...

Meu querido amigo.
Estou francamente estupefacta com a descrença que notei em ti e, porque não dizê-lo, com a tua frieza.

Já te conheço há tempo suficiente para saber que algo se alterou em ti.
Espero que estejas bem, Sandrio.

Já sabes que podes contar sempre comigo.
Gostei destas palavras que escreves à tua amada Carol. Apesar de lhes notar um grande desencanto.

Quanto à eternidade, quem não tem dúvidas?

Bijinhos meu amigo.

Janita

Sam disse...

a palavra é uma roupa que me visto
e avisto sua transparência
grifada nas linhas e entrelinhas
da palavra que disse o não dito, pq não precisou.

Lindo, lindo, lindo, Sandrio.
Meu carinho,
Samara Bassi

Lara Amaral disse...

Também uso o poema para dizer "o que sou, o que não sou, o que não sei ser", além de tantas outras coisas.

Grande abraço, Sandrio!

Celso Mendes disse...

A palavra deseja, sempre, preencher vazios. Cabe ao poeta libertá-las, arrancá-las de seu âmago e esculpi-las.

belo poema!

abraço!