17 de jun de 2011

Consciência da morte

 
Nós morremos de tanto que vivemos
Heráclito. 
Desfigurado olhar. Nada nos resta
senão recolher do chão as tardes.
Versos mudos quedam das árvores
tal como folhas ao fim do outono.

Nada de aparências. O tempo agora
é de vestir-nos com o ultimo traje,
a dança dos bisturi não mais
será coreografada sobre nossos corpos.

Fotografias guardadas. Como sombras 
de uma época de possibilidades 
hoje o barco faz a ultima travessia 
e nossos olhos voltam-se ao primordial. 
 
Cinzas, sabemos ser no fundo, mas negamos, 
voltamos hoje ao que fomos. Essência humana
morrer é retornar ao ser ultimo
 que é também o primeiro ser. 

Poema cortante. Desfaz nossas crenças 
Já não podemos sonhar, entregamos-nos 
agora é tempo e há muito tempo ainda.
O Tejo sempre  resvala na eternidade. 

Descortinado palco da vida. Cenas errantes . 
O homem  tecido de solidão e esperança
aconchega em seu ser o ultimo destino
beija a tua morte para acasalar a tua vida. 

Sandrio Cândido
Fonte da imagem: http://scandolara.com.br/picasso-guernica/

16 comentários:

asombradomar disse...

Parabéns!!! Escolheu muito bem as palavras.... apesar de 'cortante' o poema... muito bom! Como te disse ainda a pouco, não sei fazer isso, e vc faz de forma linda!


Um beijo

Cláudia Matos disse...

Poema lindo!

dade amorim disse...

Mais um belo poema, sempre iluminado pela sua verdade.

Abraço!

Evanir disse...

Olá!!
Encontrei seu blog nessa imensidão
que é a blogosfera seus poemas são excelentes amei conhecer você.
Já estou seguindo seu blog espero você para conhecer e seguir o meu.
Um feliz Domingo beijos meus,,Evanir.

нєllєи Cαяoliиє disse...

"Essência humana
morrer é retornar ao ser ultimo
que é também o primeiro ser. "
Profundo e instigante isso!
Meus parabéns,Sandrio.
é sempre bom vir te ler!
Um beijo enorme e um ótimo domingo!

Priscila Rôde disse...

"Essência humana
morrer é retornar ao ser ultimo
que é também o primeiro ser."

Deus abençoe esse seu dom. Essa tua poesia nos enche de vida!

Carla Diacov disse...

a alma dessa rosa faz mínimo o espinho!
Beijos e pétalas.

A Escafandrista disse...

É sempre tão profundo e comovente partilhar dos teus versos... bjs.

Luiza Maciel Nogueira disse...

beijar a morte que imagem bonita Sandrio, a maioria das pessoas tem um medo e rejeição dessa morte - mas por vezes ela é necessária.

Beijos

Elisabete Lira disse...

Que bom vir aqui e contemplar suas belas postagens...
Tenha uma linda noite, e uma ótima semana...
Um abraço bem forte...bjus

Malu disse...

Sandrio,


Lindo , profundo e imenso ...
Infinitamente tocante.

Bjo e um Dia de Paz.

Graça Pires disse...

Cortante e tocante...
Um excelente poema!
Beijos

Juliana Lira disse...

Como sao lindas as tuas palavras Sandrio... Ate pra falar da morte vc nos enche de vida e beleza...
Mas assim deve ser mesmo,porque a morte nao éo fim, é apenas uma passagem para o desconhecido.

Milhoes de beijos

Sam disse...

somos um relógio que vive os dias andando pra trás, naquelas amareladas fotografias guardadas na memória dos tempos sem lembranças, nas andanças onde o pó e as cinzas das próprias horas, eram o que restavam das enormes experiências guardadas na palma das mãos.

Morremos nesse viver diário, nesse retalho dos dias onde o caminho é pequeno e curto diante dos olhos.
É preciso saber viver, é preciso saber morrer.

Lindo, Sandrio.
Saudades imensas daqui.
Meu carinho, poeta querido.
Samara Bassi

Bárbara Queiroz disse...

Que forma bela de fazer poesia. É sempre bom ler tuas palavras.

Abraço

Dois Rios disse...

beija a tua morte para acasalar a tua vida.

É dessa consciência que precisamos, para que possamos fazer da nossa vida uma suave e acolhedora morada.

Beijo, poeta Sândrio!

I.