29 de jul de 2011

O Inverno das rosas


A solidão, minha companheira 

Tua boca traz um cigarro ainda aceso
Lembra-me o instante dos últimos acenos. 
O Tejo esta manhã tornou-se pequeno no horizonte 
Pois lá já não estava mais o teu olhar perdido
De poetisa que espera uma visão além dos óculos
_Talvez todos nós esperamos. 

Teus pés possuem a coreografia acertada para o momento 
Que não é de pressa como pensa as cabeças 
Rolando pelas ruas calçadas de pedras. 
Será que não sabem as cabeças do coração 
Que insiste em gritar toda vez que  enxerga um lírio.
_Em todos os homens mora uma canção.

Tuas horas descansam sobre os corpos nus
Árvores desfolhadas que comunicam
O inadiável instante da morte, onde na carne
Cumpre-se o destino dos desmanchares
Como rosas perdendo suas pétalas.

Tua canção traz as notas da saudade
Que é feito de sinos, anjos sonoros
A penetrar  o som metálico e urbano.
O sol habita o teu melancólico olhar
Um anuncio da prometida liberdade.

Demora-te sobre o teu eco
Pois não há um caminho de volta
Há apenas a possibilidade de recordar.
Solidão primeira... Êxodo de homens...
Pois em ti há castelos escondidos.

Sandrio cândido

15 comentários:

Lara Amaral disse...

Na solidão, as possibilidades são intermináveis para ser, para criar.

Muito belo, Sandrio!

Beijo.

Celso Mendes disse...

A solidão é companheira inseparável dos poetas. E guarda castelos, seus tesouros e suas masmorras.

Um poema que flui calmo em direção ao oceano, com um rio que a tudo observa.

abraço!

Miquelinne Araujo disse...

E essa solidão que faz bem...Pois inspira versos perfeitos!
Não me canso se lê-lo Amado...


És aqui, que vi o que mais enxerguei de perto o que posso descrever de amor(Parabéns Querido Amigo)!

Dois Rios disse...

Belo poema, Sândrio,

Você desenha as palavras com a precisão de quem usa régua e compasso. Pefeito!

Quanto a solidão, às vezes é necessária.

Beijos,
I.

Analuz disse...

"Solidão primeira... Êxodo de homens...
Pois em ti há castelos escondidos."

Verdade... castelos feitos de silêncio...

Costumo dizer que não é sozinho aquele que se sente feliz na companhia de si mesmo...ainda mais quando tem como parceira diáfana a poesia...

Adorei teu canto...

Beijinho companheiro, Sandrio!

A Escafandrista disse...

Sândrio, o que dizer das tuas poesias? Estão cada vez mais lindas, sensíveis, profundas. Estou adorando mergulhar em cada um dos teus versos.

marlene edir severino disse...

E o poeta respira solidão
e seus silêncios

Abraço!

dade amorim disse...

Lindo e nostálgico poema que faz pensar.
Abraço amigo.

Milla Pereira disse...

Um poema contundente, profundamente
belo, parabéns! Vim, li, aplaudi e já te sigo... Bom fds, doces bjks

CARLA STOPA disse...

Solidão...E seus efeitos duais...Abraço.

Sam disse...

São como caminhos que vertem do chão em areias finas, as andanças solitárias e regadas à pó e só.
Desatinando no deserto dos olhos, um inverso qualquer de incostância na procura desses tantos anjos sonoros que talvez, cantem pra um sono sereno, na sua dose diária de solidão.

A necessária palavra que brota diante dos lábios, são raízes impostas nas mãos calejadas dos sonhos e marcadas ainda na nicotina do cigarro, na fuligem do dia, sedento por brilho e de colorir os olhos, ainda o verso que uni o inverso, gravado na retina daquilo que não tem medida.

Que bonito, intenso e também triste, Sandrio.

Gosto das tuas palavras, coreografando uma dança hipnotizante.

Abraços, flores e estrelas...

Carla Diacov disse...

wow, Sandrio!
'Solidão primeira... Êxodo de homens...
Pois em ti há castelos escondidos.'


lindo!


BEIJINHOS!

Davi Machado disse...

"Tua canção traz as notas da saudade
Que é feito de sinos, anjos sonoros
A penetrar o som metálico e urbano."

Intensidade bem dosada em seus versos, agradeço o tamanho carinho deixado em meus poemas. Sigo teu blog pela qualidade encontrada aqui.

abraço!

Drisph disse...

"Se não podem me ler; que eu me leia; que conheça os sobressaltos que interpõe esta ponte, e se ela não existir, que eu seja o engenheiro sagaz; determinado a cumprir com o meu objetivo, seja lá, onde estiver as ferramentas que preciso ainda encontrar para beijar os pés de Clarice Lispector; limpando o chão pelo qual passou Machado de Assis; lendo e aprendendo com o tão polêmico Nietzsche... Ah, Senhor, protetor dos novos e loucos autores, que esta chuva que refrescou a luta árdua de tantos molhe o meu telhado a ponto de encontrar a humildade necessária que não me fará algoz de minhas próprias ambições..."
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seguindo-te.

Juliana Lira disse...

Ouvi ecos a minha alma nesse poema.

Milhoes de beijos