18 de jul de 2011

A solidão dos homens de guarda-chuva


É preciso que se demore sobre a escura pele da noite
Que se percorra as espessas camadas 
Feitas de areia e cal
Asfalto a encobrir à rosa que ensaia na calçada 
Um romper para a rotina das maquinas... 

Que as mãos calejadas pouco a pouco se afastem 
Da estranha superfície das molduras. 
Que alcancem a estrela perdida no buraco negro.
O verso mudo e cortante 
Abandonado em um caderno espera,
Enquanto se encena o absurdo teatro do nada. 

Que se descanse o olhar lacrimejando 
Sobre as pálidas fotografias deixadas na estante 
Tal como folhas quedadas no fim do outono. 
Que se descubram os passos atrasados perante a pressa
Da espelhar coreografia dos ponteiros... 

Que se descubra o vazio que há em si 
Tão grande que nem o amazonas é capaz de fechar 
E que se aprenda o segredo do eco 
Que se reconheça o terrível do cheio 
Nele corre  se o risco desnecessário de transbordar. 

Que se ame como no primeiro olhar 
Aquele que ainda não conheceu os corpos.
Que se desconheça a volúpia dos beijos molhados.
Eu te convido a colhermos lírio no campo 
E deixa-los no passado- Sepulcro dos instantes. 

Que se descubra outro cheiro para o poema moderno. 
O olfato já não quer este cheiro de concreto 
Talvez procure se o cheiro da terra molhada...
Que se escreva o poema feita de lamina 
Sensível a dor sentida no acalanto da madrugada.


Sandrio Cândido 

18 comentários:

Malu disse...

Sandrio,


Me emociona tamanha beleza e sensibilidade em seus versos ...


Bjo e uma Tarde Serena.

Lara Amaral disse...

O cheiro da terra molhada sempre me inspira.

Beijo, querido.

Vanessa disse...

Fantástico!

Cris de Souza disse...

é preciso ler-te mais...

poema belo e profundo!

beijo, sandrio.

Tania regina Contreiras disse...

Sandrio, poeta querido, ler-te emociona-me muito sempre. Lindo poema, profundo, e o meu olfato agoniza de concretudes, quero também o cheiro do chão.
Beijos,

Celso Mendes disse...

Sandrio, é com imenso prazer que tenho lido seus últimos textos. De um lirismo fantástico, que sabe dosar-se entre o fio da navalha e a pétala da rosa.

Parabéns!

abraço!

Luiza Maciel Nogueira disse...

Sandrio, demais!

Beijos

(transborda a poesia
chuva de versos
gota de sonhos)

dade amorim disse...

O cheiro que a chuva traz é sempre bem-vindo e inspirador, Sandrio.
Um grande abraço.

нєllєи Cαяoliиє disse...

"Que não percamos a sensibilidade"
Sandrio,
Seus poemas são sempre belíssimos!
Saudades imensas daqui ;)
Um beijo.

Jorge Pimenta disse...

sândrio,
congratulo-me com as circunstâncias que me trouxeram até. gostei de te ler.
um abraço!

Maria disse...

Sandrio lindissimo poema. Sendo hoje o dia internacional da Amizade e do Amigo, passei especialmente para deixar um abraço bem apertadinho e um grande beijinho.
“A glória da amizade não é a mão estendida, nem o sorriso carinhoso, nem mesmo a delícia da companhia. É a inspiração espiritual que vem quando você descobre que alguém acredita e confia em você.” (Ralph Waldo Emerson)
Maria

Non je ne regrette rien: Ediney Santana disse...

"o vazio que há em si
" e isso é a razão triste nossa

Sam disse...

é preciso que se infiltre
nas estrias do asfalto
na escuridão
no assalto das horas que rondam os pensamentos na iminência de chegar.

Que saudades daqui, Sandrio querido.
Vc como sempre, arrasando nas palavras.

Absorvo o melhor da sua sabedoria para meus dias.

Meu carinho,
Samara Bassi

porko disse...

Aoww mineroooo ae sim hein vc e dos meu pasokapskoaop parabens e nois Consolata

porko disse...

Aoww minerin vc e suas poesias sempre arrebentando parabens e nois Consolataaa

Juliana Lira disse...

Ow que encanto meu querido!

É preciso essa sutileza essa leveza mesmo. Um poema feito de alma e coraçao, sesível a dor, sensível aos sentimentos...

"Que se ame como no primeiro olhar aquele que ainda nao conheceu os corpos"

Esse nao é o amor mais lindo? Acho que sim, acredito que sim!

Milhoes de beijos

Marceli Andresa Becker disse...

PUTA POEMA!!!
Bah!

Marceli Andresa Becker disse...

Tão grande que nem o Amazonas...