22 de jul de 2011

A vida Adriana


"vivere, como se mai dovessimo morire"
Andrea  Bocelli

"O que nos resta  da grande paisagem  
de pensamentos vividos... "
Vinicius de Morares 
                       I
Eu sei que há um momento de colher os restos 
Das antigas manhãs já nascidas. De carpirdar 
Os rostos emoldurados nas fotografias. De rever 
A caligrafia sepultada no instante já vencido. 

Eu sei que há um instante de desnudar rosas. 
Desvirginar as  madrugadas largadas no colo 
Dos  desvairados amantes que olham a luz 
Da aurora que ensaia a esperança almejada. 

Eu sei que que há um instante de se lembrar 
os corpos tocados- sei também que para tocar 
É necessário apenas o olhar- Sei que há o 
Instante de se sentir um frio percorrer a espinha. 

Sei que há o instante de se olhar para trás 
Descansar a vista no ruído das possibilidades 
Lembremos apenas dos muitos nomes 
Da solidão de se descobrir  humano nas idades. 

                        II 

Adriana.
Querida amiga de muitos anos e abraços
De bilhetes e cartas. Saudade de ouvir
Talvez Tânia mara " sempre que quiser ir 
as estrelas me dê a mão". Saudades. 

As  minhas  mãos Adriana,
Dizem ser mãos de um poeta. Percebe-se 
Pela melancolia dos gestos, pela solidão
Que sente os dedos que de tão próximos 
Tornam se separados. Ausência não conjugada. 

A ausência Adriana. 
Não a de teus lábios a dizer-me palavras simples
Não a ausência de nossos corpos
Porque esta ausência eu suporto.
Sofro é com a ausência da criança  que em meu ser habitava.  

Nosso andar é construído por lembranças. 
Lembras quando me ensinou a poesia,
No gesto, no teu olhar, em tua fala 
A dizer-me que eu era bom.Delicado 
Como uma pedra que espera pela chuva prometida. 

Nos conhecemos, 
Em uma manhã que prometia algo desvairado 
Toda manhã é uma promessa nunca cumprida 
Mas a nossa foi diferente, percebe-se pelos 
Anos que habitamos juntos a esfera da amizade. 

                 III 
Never let me go. 
Sabe Adriana muito eu perdi para os anos
Meu rosto de criança foi esquecido em um retrato.
A primeira namorada. Os amigos de antes, 
Até sonhos  que eu tive foram roubados. 

É destino Adriana. Teatro da vida, enceno 
Não recuso.Mas sei que não me deram 
O direito ao ensaio. 
Never let me go. 
Pois somos os únicos a olhar a tarde. 

Vamos Adriana
Dançar sobre a grama que cresce no jardim
É tarde- talvez para alguns seja cedo-
Mas para mim é tarde. Vamos Adriana 
Colher lírios e lótus nos jardins da cidade. 

Nossos corpos estão cansados, mas há tempo ainda
Larguemos o terno, a calculadora e a gravata 
Vamos Adriana. O medo faz parte da felicidade, 
Ao menos no ultimo verso eu tenho o direito 
De viver sem esperar resultados. 

Hoje dançaremos aquele tango 
É tarde, por isto posso dançar, escrever poemas
Ler pessoa, Vinicius e Rilke 
Ir a igreja, visitar parques. Esquecer os contratos. 
Vamos Adriana, amiga Querida

Foi a vida. Este meu olhar perdido no horizonte
De quem espera algo sem saber o quê, 
De quem colhe frutas em meio ao asfalto, 
Tudo isto não me ensinou a faculdade
Foi a vida. Agora vamos vive-la...

Sandrio Cândido 

13 comentários:

Celso Mendes disse...

Sândrio, o poema está muito lindo. É difícil comentar sentimentos tão pessoais, mas é fácil se sentir a poesia das palavras que deles emanam ao ler este texto.

grande abraço.

Janita disse...

Meu querido Amigo.
Eu sei que o teu carinho me faz feliz e enriquece a minha vida.

Sei que a tua poesia é o espelho da tua alma límpida.

E... sei que sabes o quanto te quero bem!

Muito lindo o poema que dedicas à tua amiga.
Querido Sandrio bem-hajas por seres como és.

Abraços e beijos.

Janita

Rita disse...

QUERIDO
TALVEZ O POETA PRECISE MESMO DA MELANCOLIA DOS GESTOS PARA ESCREVER PORÉM ELE TBM PODE ESCREVER RECITAIS ORIUNDOS DA ALEGRIA.

COMO DISSE CELSO, SIM É DIFÍCIL COMENTAR SOBRE OS SENTIMENTOS E FÁCIL SE EMOCIONAR COM AS PALAVRAS VERDADEIRAS VINDAS DA ALMA DE UM POETA. É DOM PARA QUEM ESCREVE E PRIVILÉGIO P QUEM LÊ.

TOCOU-ME AO LER QUE SENTES SAUDADE DE QDO ERA CÇA... ENTENDO ISSO MTO BEM.

LINDO TEXTO MEU QUERIDO
EMBORA ESTEJAMOS LONGE OU NUNCA NOS TENHAMOS VISTO, MINHA ALMA SAÚDA A TUA E ASSIM SOMOS IRMÃOS BEM PRÓXIMOS!
NAMASTÊ E BOM DOMINGO!
BJOS

нєllєи Cαяoliиє disse...

Sandrio
Lindo poema!
Danço em teus versos ;)
Beijos

Ianê Mello disse...

O que posso dizer? Só sei que senti um arrepio a percorrer meu corpo quando suas palavras em versos penetraram em minha alma. Me deu uma saudade do que não vivi. Me transportei em seu poema e vivi esses momentos como meus. A vida á feita de momentos e temos que vivê-los ao máximo, pois nunca sabemos se tornarão a repetir-se e se repetirem-se, nunca serão iguais. Um beijo em seu belo coração.

Ana Cristina Cattete Quevedo disse...

Dá para sentir o coração pulsando em cada palavra. Muito bonito, Sandrio.

Graça Pires disse...

Eu sei que há manhãs em que as palavras se soltam para fazer poemas tão belos como este, mesmo sabendo que "toda manhã é uma promessa nunca cumprida"...
Um beijo.

Bárbara Queiroz disse...

"Toda manhã é uma promessa nunca cumprida..."

Uau! Que lindo poema, uma grande homenagem! Cada verso desse ecoa sentimento em minha alma.

É sempre bom ler-te.

dade amorim disse...

Bela manhã, essa que ditou um poema tão sensível, tão bonito, e desenhou uma saudade que se reflete em quem te lê.

Beijo.

Malu disse...

Sandrio,


Em sua poesia vimos refletida sua alma,suas emoções da forma mais bela.
Lindo te ler ...


Bjo e uma Noite de Paz.

Analuz disse...

Teu lirismo é tocante mesmo, Sandrio!

Belo poema!

Perdoe-me pelas poucas vindas aqui... não é proposital a ausência, acredite... tentarei vir sempre que postar algo novo...

Beijinho carinhoso!

p.s: eu agradeceria se vc tirasse a verificação de palavras do comentário... já é tão difícil acessar e comentar!

Jorge Pimenta disse...

"foi a vida. agora vamos vivê-la".
há, por vezes, que saber morrer para poder viver.
abraço!

Juliana Lira disse...

Poxa! Com uma homenagem dessas quem nao se emociona?
Há tempos que me arrepia a pele e acalenta a alma a tua poesia, vc é grande meu querido e que bom que divide essa grandeza conosco.

Milhoes de beijos