2 de ago de 2011

Anjos caídos

                           
Desmancho-me nestas cores brandas
No espaço de teus lábios entreabertos
Onde habita a anunciação de um beijo
Trago o sangue, a vertigem e a dor
Tenciono usa-los em um poema de amor.

Desfaço rotas na incerteza de saber o fim.
Não há fim, há talvez o caminho...
Não há esquinas,
Há apenas o lugar onde registra-se
Os passos da desvairada trajetória.

Tudo encontra se disposto a comunicar
A estranha leveza da vida,
Objetos que cumprem seu papel
Só eu, poeta que acena ao horizonte
Nego-me a cumprir um destino.

Talvez seja o tempo apenas isto
Grãos de areia que os loucos contam
Dança de ponteiros em macabros relógios
                                      [-anjos caídos-]
Mas talvez seja o tempo algo diferente
Pois o ontem ainda anda  comigo.

Dizem que a vida é um estático sol
A iluminar corpos decadentes
Talvez seja.
Não sei o que é a vida para discordar
Sei apenas que por vezes foi preciso morrer...

Desfaço-me na sombra antiga
Nos versos jogados em magnéticas telas
Entregue  ao rio que me busca
De repente o cão muda assalta a porta
A morte torna se apenas mais um dia...


Sandrio Cândido.

16 comentários:

Luiza Maciel Nogueira disse...

anjos caídos também podem aprender a voar - beijos!

Ana Morais disse...

Lugar que sempre volto...

Malu disse...

Sandrio,


Cada dia sua poesia se torna mais bela ...
Sempre um imenso prazer te ler.


Bjo e uma Noite de Paz.

Celso Mendes disse...

há de morrer milhões de vezes para se sentir de novo e de novo como é a vida e perceber nossa mudança e evolução, perceber o que fomos para renascer. não definimos o tempo, ele nos define. nem sei porque tomei este rumo ao comentar seu poema, mas foi o que me veio. e se isso aconteceu é porque o texto me tocou. e se me tocou cumpriu sua missão de poema. aliás, mais um belo poema.

abraço!

Lara Amaral disse...

O poeta se nega a cumprir um destino, mas a trajetória da saga que percorre o poema é muito chamativa. Interessantíssimo, Sandrio.

Beijo.

Camila Lourenço disse...

Lindo como sempre.

Bjos saudosos.

Rafael Castellar das Neves disse...

Muito bom!! Forte e intenso!!

[]s

R.D.S. disse...

O seu blog é maravilhoso me encantei

dade amorim disse...

Morre-se algumas vezes durante a vida, mas a vida continua até aquele mais um dia de que fala o lindo poema que você deixou aqui.
Abraço pra você.

Concha Rousia disse...

Líricos e intensos versos, gostei das paisagens que achei aqui, voltarei, vou continuar a visita por teu blog, abraços

Graça Pires disse...

Morrer quantas vezes for preciso...
Beijos.

Analuz disse...

Morre-se um pouco a cada dia...
e a cada verso, um ânimo de eternidade...

Bela voz!

Beijinho com admiração,Sândrio!

Catia Bosso disse...

Que lindo poema a iluminar meus olhos...


Bjs

Dois Rios disse...

Sândrio,

Vida e morte andam entrelaçadas. As vezes há que se morrer para reviver.

Meu beijo,
Inês

A Escafandrista disse...

NAMASTÊ.

Juliana Lira disse...

As vezes vc me rouba as palavras Sandrio. E fico sem graça de trazer minha simplicidade pra comentar poemas tao etéreos.
Mas nao posso deixar de vim, ler me maravilhar. E dizer que é belo!

Milhoes de beijos