19 de ago de 2011

A menina dos olhos de mel

Da tua boca emerge o gosto da aridez. Em tua falta
Sinto a dureza do chão sem chuva ,
O desejo das folhas suicidas
Que quedam ao jardim de lírios.
Almejo  o beijo segregado na promessa.

Esculpido o busto na pedra, um retrato teu
esquecido,
Empoeirado na estante sem flores
Encontra-se  preso ao arame farpado
Aquele que antecede a distância do nosso olhar.

Amo-te nesta canção deitada a mesa. Amo-te
Nestas migalhas
Que Fugiu aos teus  doces  lábios.
Amo este teu olhar que me penetra como lamina
Que me devora na margem do Tejo.

Menina dos olhos chuvosos me possua em teu poema
Assim como a noite possui a lua
Molhe meu corpo com a tua saliva
Pois eu molharei teus lábios com os meus,
Derramarei meus beijos em tua boca rosada.

Esta noite os anjos comunicarão ao mundo
Que nós dois nos amamos,
juntos saberemos
Dos pregos que perfuram ventres
Porém saber-emos da delicia de sentir o eterno
Cravado no minuto do beijo.

Sandrio Cândido





15 comentários:

Lara Amaral disse...

Belo, Sandrio, gostei muito desses versos:
"Encontra-se preso ao arame farpado
Aquele que antecede a distância do nosso olhar"

Ana Casanova disse...

Muito triste mas muito belo também!
Um beijo e o desejo de que passes um dia muito feliz.

Dolce Vita disse...

Belíssima construção poética.

Davi Machado disse...

Lírico? sem rótulos...
Você tem uma aura doce em cada letra que mostra o verso.
só posso admirar.

Bárbara Queiroz disse...

É possível aproximar-se do eterno ao ler teus versos, belos e impactantes.

dade amorim disse...

Lindo seu poema, Sandrio.

Dois Rios disse...

"saberemos da delicia de sentir o eterno cravado no minuto do beijo."

Pleno!

Beijo,

I.

нєllєи Cαяoliиє disse...

"Menina dos olhos chuvosos me possua em teu poema
Assim como a noite possui a lua"
Ahh...noite,lua!
Tudo em sintonia neste poema doce e misterioso!
Querido amigo,Sandrio...como senti saudades de teus belos poemas,está tudo bem?espero que sim!
Um beijo enorme e uma semana de paz pra ti!

A Escafandrista disse...

uau.. muito visceral, não é?

Sandrio cândido. disse...

Talvez escafandrista, não sei bem como escrever este poema, apenas sei que ele brotou de uma escrita ruminante.
beijos

Marceli Andresa Becker disse...

Belo poema, Sandrio, sobretudo a terceira estrofe, que mais gosto; a canção deitada à mesa, o olhar-lâmina (lembra o Lílitchka!, do Maiakóvski)... Muito bom!
Beijo,
Mar

Sonhadora disse...

Passei e gostei de tudo o que li...tomei a liberdade de seguir, para voltar mais vezes.

um beijo
Sonhadora

Graça Pires disse...

Um belo poema de amor!
Beijos.

Concha Rousia disse...

Sandrio, poeta! que versos intessamente belos, adoro olhos de mel... Abraços poéticos, Concha

Concha Rousia disse...

Sandrio, poeta! que versos intessamente belos, adoro olhos de mel... Abraços poéticos, Concha