26 de ago de 2011

Filosofia.[reeditado]

                        I
No meio das pedras que compõem a rua
Chão de poemas invertidos,
Um homem escava o solo concretado.

Lateja no ventre da terra o poema sucumbido
Nas horas maquinarias da academia.

A faca do progresso pouco a pouco 
Molda o pensamento dos homens.
Já não se olha a flor que evoca

A certeza de padecer sob a crise
O silêncio gritante de alguma utopia. 
                
                      II
Os homens de meu tempo se acomodaram
Na leveza de ser o que se pode ser
Esquecem as possibilidades de ser
Aquilo que desconhecemos do Devir.

Os homens de meu tempo padecem
Do mal de não pensar a vida
difícil tarefa para os modernos químicos.

Procura se sentido e nada se encontra 
Porque aqui tudo é passageiro.
A realidade não é passiva de mudança
Quando a utopia não habita o desejo humano. 

Embalsamaram nossos corpos como minutos
Aprisionados  em uma fotografia
Estranhamente deram o nome de liberdade
Ao consumo que a vitrine prometia.

        III
É preciso ater se aos versos
nas entrelinhas
lá reside a pergunta,
_A filosofia.

Nenhuma solidão nos finda
Se a ideia de mundo
Ainda nos habita.

A única verdade existente
É feita de muitos porque
Penosa é a tarefa de pensa-los.

No meio da rua um poema se arrasta
Procura esconderijo,
Evoca a saudade,

Desata o nó das gravatas
Para depois deita-las ao lixo. 

Nos bolsos se mistura as cédulas
Desfaz se no tic tac apressado
Acidenta-se com o poeta urbano...

sandrio cândido.

9 comentários:

M. Rodrigues disse...

Belo poema.

Quanto ao comentário em meu blog,agradeço pelo elogio e sobretudo pela sinceridade,pode parecer estranho mas o fato da minha escrita não ser a sua "praia" me faz gostar e dar mais atenção aos seus comentários.
Obrigada.

Analuz disse...

Sempre levo um pedacinho de tua voz comigo...

Beijinho com admiração, Sandrio!

Celso Mendes disse...

olhar a flor que evoca um pensamento é arte poética, infelizmente para poucas. gostei muito desse poema em tom filosófico e reflexivo.

grande abraço!

нєllєи Cαяoliиє disse...

"A certeza de padecer sob a crise
O silêncio gritante de alguma utopia."
Como é bom vir te ler e levar sempre uma parte que me toca comigo!
Belíssimo,Sandrio!
Um beijo.

A Escafandrista disse...

o que escreves é ao mesmo tempo tão sutil e tão mundano... gosto muito.

Sandrio cândido. disse...

Escafandrista fico a me questionar o que será mundano, afinal será que em tudo não está algo de eterno e de divino. se todas as coisas falam de Deus, mas isto é mística cristã.
abraços

Luiza Maciel Nogueira disse...

os poemas são frágeis, como o homem. Muito belo Sandrio, sempre profundo.

Beijos

Dois Rios disse...

"É preciso ater-se aos versos
nas entrelinhas
lá reside a pergunta,"

Sim, nas entrelinhas. O óbvio não é filosofia.

---

Quanto a sua pergunta "morte?" eu diria que ao longo da vida damos muitas morridinhas.

Beijo,
I.

porko disse...

Parabens manolo fico de mais parabens mesmo hein faz um pra mim
?

hahahahahah
felicidades Sandrio!