5 de set de 2011

Aos homens que amam os monitores


1.O tempo das imagens 

Os minutos sofrem de paralisia quando
Encontra-se cravado em uma fotografia
No cerne oco de tua trajetória está
O desvario noturno de um desejo embriagado.

Os lábios possuem o gosto do álcool
Antes de se possuírem como primícias
Da despedida que acena ao horizonte
Onde não se abarca o preço da dor.

Os carvalhos balanças na noite escura
Antes que o deserto toque as bocas
Dos homens que espreitam o amor
Jogando cédulas nas grandes esquinas.

São estes homens que amam loucamente
Este frio corpo de dígitos
Como se fosse possível se possuírem
Tal como os amantes fazem na madrugada.


2.Embriagado poema da modernidade

Dentro do poema que prestam culto
Está a carne apodrecida
A falsa felicidade
O olho furado pela própria vida.

Um poema de espelhos e automóveis
Feito de rostos absolvidos
Pela asfáltica beleza da modernidade
Que enganam os homens sem Tato.

Um poema de sons estridentes
Que aumenta a surdez dos seus ouvintes
Já não ouvem sequer o sussurrar
Do ar que lhe transpassa o Corpo.


Um poema de teclas e monitores
Consumindo as horas que sobram ao poeta
Sem mesmo saber que o homem
Tem uma essência para conhecer.
 
3.O Despertar de um poeta novo

Navalha, 
Alguém que me empreste um canivete 
Eu mesmo vou abrir este espelho
Para que saibam de sua ocridade medíocre 
Para que saibam que os corpos que o habita 
São cadáveres de sonhos roubados. 

Poema adaga,
Um poema que perfure os olhos
Destes senhores cegos pelos ternos
Pela luz sombria da bolsa de valores. 
Que seja amaldiçoado o dinheiro 
Peça cancerígena para a modernidade. 

Poema corpo,
Desfeito do tédio que espreita o hoje
Recuperado de seus entraves
Um poema que nasce do estábulo
Habitado pelo poeta cansado de ser
Objeto nas mãos da ciência moderna. 

 Sandrio Cândido 

11 comentários:

Sandrio cândido. disse...

Este foi mais um poema com aquilo que mais me incomoda- esta tal de pós modernidade.

Celso Mendes disse...

e seguiu, o poema, agressivo, cortante, em revolta com esta tal pós modernidade. um chamado à essência da vida. muito bom: tem força e coerência!

abraço.

Luiza Maciel Nogueira disse...

Sandrio, o mal estar da civilização não tem muita cura. a transformação começa dentro de cada um. E a educação tem que ser prioridade pra isso acontecer. Beijos

dade amorim disse...

Modernidade, como tudo nesta vida, tem mais de uma cara. Uma delas é a que te irrita. Belos poemas, Sandrio.
Abraço.

Sandrio cândido. disse...

Luiza querida obrigado pela presença, mas eu creio que podemos sim muda-la, afinal a história é feita de mudanças.

Celso. Obrigado pelo carinho, sim é um poema agressivo, pois esta tal como eu disse tem seus pontos bons(claro) mas na maioria das vezes é sua parte ruim que transparece.

Dade-Na verdade o incomodo não é irritação, ela me faz pensar, pois infelizmente nós ainda não sabemos conviver com ela.
Abraços a todos

Analuz disse...

Poema forte, que nos agarra, nos olha na cara e nos proíbe de baixar a vista!

Muito bom!

Beijinho, Sandrio!

Janita disse...

Olá querido Sandrio.

É muito bom voltar aqui e ler os teus poemas fortes e sentidos.
Este revela bem a tua preocupação e revolta com a pós modernidade, que vai lenta e sistematicamente desumanizando o ser humano.

Meu querido amigo, desejo muito sinceramente, que esteja tudo bem contigo.

Que Deus te abençoe e guie.

Bejinhos com ternura.

Janita

Sam disse...

na linha da solidão. abraços afins se consumam... virtuais ou não.

Meu carinho, amigo querido :)

A Escafandrista disse...

Arrepio...

Concha Rousia disse...

Sandrio, o teu poema abriu-se caminho verso a verso, demostrando mais uma vez que a poesia é imortal, ela sempre vai vir-nos salvar desse mundo modernos que se metamorfoseia para enganar-nos, ainda bem que temos a poesia, que temos os poetas... Forte e belo, este teu poema, Abraços

Lisa Alves disse...

A sensibilidade de sentir o tempo em que se vive causa-nos um mal estar. Creio que no passado alguns sentiram-se também assim, deve ser armadilha do nosso DNA, nossos ancestrais se assustariam e até se matariam ao ver a cordialidade de nossos dias.