10 de set de 2011

Escombros

Posso dizer do meu ser que sou isto.
Onde eu me habito. Onde não chegaram
Anulando a possibilidade de devorar-me.

Talvez eu seja apenas um girassol
Pisado a beira do caminho
Transmudando-se em secas paisagens.

Outra vez olharei a montanha. Desprender-se-há
As mesmas pedras, rolando aos meus pés
Eu aqui esperando que venha o crepúsculo.

Assopra de longe, posso ouvir a tua voz
Prometer-me um retorno que nunca se cumprirá,
_O nunca é um tempo de tantos tempos.

Não importa. Viver é atrasar-se sempre..
Hoje me deito a margem do mesmo rio
Depois de tantos jamais eu posso partir.

Deitarei a toalha das tardes. Dos amanheceres
Que o meu corpo soube bem preservar
Enfim posso ser o Beijo no mármore.

Sandrio Cândido

8 comentários:

dade amorim disse...

Um poema que diz estar conformado com o que vier.
Um abraço.

Sandrio cândido. disse...

Na verdade Dade não é a conformidade no sentido de acomodado. Mas se o natural da vida é que haja dor, amor, alegria, lagrimas e morte então a atitude que eu tenho perante a tragédia e a felicidade da vida é aceita-la. Mas só quando é natural.
obrigado pela presença

Analuz disse...

"Não importa. Viver é atrasar-se sempre..
Hoje me deito a margem do mesmo rio
Depois de tantos jamais eu posso partir.

Deitarei a toalha das tardes. Dos amanheceres
Que o meu corpo soube bem preservar
Enfim posso ser o Beijo no mármore."

É preciso ter o talento de resignar-se...

maravilha de texto!

Beijinho!

Carla Diacov disse...

menino!
é um dos temas q mais me coisam...
e desenvolveste com louvores, Sandrio, inda, tu...sempre tão generoso e freqüente...
beijos.

Rachel Nunes disse...

Somos o nunca visto. Talvez nem por nós mesmos.

Amei a linda poesia.

Ótima semana para vc, Sandrio.

Beijos!

Concha Rousia disse...

Sandrio, a tua poesia sempre oferece um abraço lírico que não é fácil de encontrar, gosto de tua poética, e da filosofia que sempre se intui detrás, porque a vida é mesmo isso, um ensaio que se atrasa e se atrasa e a obra nunca chega realmente, parabéns, poeta! Abraços desta poeta da Galiza, Concha

maria azenha disse...

de um lirismo que aprecio muito.
Obrigada pela sua visita e palavras.

Um abraço.

Marceli Andresa Becker disse...

"O nunca é um tempo de tantos tempos", muito bom...
Vejo Heráclito em atrasar-se: a linguagem tarda.

Lindo o poema, tem uma dor pesada de fundo...
Beijo!