19 de set de 2011

Dos caminhos

Uma estrada levou os meus passos de Minas
Cortou o mapa do tempo que devora-me
Eu a vejo distante
Onde perdura a celebração do inadiável.

Uma estrada rompeu o limite do lugar
Absorvendo a seiva que me doava o calor
Levando os últimos cafés da manhã
Onde ciganos relia o destino nos respingo
                             
Que a pequena xícara guardou no vácuo
Das vozes que se entre(cortavam).
Uma  estrada divisou as minhas águas
Uma estrada- só me sobrou uma estrada.

Hoje a  vejo  relegar os meus versos
A margem dos cadernos empoleirados
Na única estante que me soma as notas
Desgarrada para o Bojo do  passado.

Sandrio Cândido

12 comentários:

Leonardo B. disse...

[os versos, a estrada de onde vimos, o caminho que tomamos olhando para trás apenas para nos recordarmos do que encontraremos na outra esquina do tempo, em nós]

um imenso abraço, Sandrio

Leonardo B.

Acqua Negrume disse...

somos nós que caminhamos
mas são as estradas que passam

in agradecimento pela viagem

Tania regina Contreiras disse...

Saudades de te ler, garoto! Tempo curto, mas encontrar essa estrada me alarga o caminho e as possibilidades. Aplausos!
Beijos,

Analuz disse...

Gosto da imagem de estrada cortando o tempo...

Belíssimo texto!

Beijinho com admiração!

dade amorim disse...

E tudo tende ao bojo do passado.
Lindo teu poema, Sandrio.
Abraço grande.

dade amorim disse...

E tudo tende ao bojo do passado.
Lindo teu poema, Sandrio.
Abraço grande.

Carla Diacov disse...

Sandrio, passo por aqui e saio meio despetalada ...
tua fé nessas estradas de letras me emociona muito...mesmo.

quanto às imagens
retiro dum banco pessoal que trato sempre de entulhar mais e mais...
saio sempre por aí a empoleirar fotografias...hehe...

beijos, querido!beijos.

Celso Mendes disse...

As estradas, os caminhos, as mudanças. Muito belo o poema com algumas imagens preciosas.

"a pequena xícara guardou no vácuo
Das vozes que se entre(cortavam)."

adorei isso, por exemplo.

abraço.

Janita disse...

Querido Sandrio,
parece-me que este lindo poema revela a tua memória da mudança na tua vida que te conduziu para longe da tua terra.
Meu querido, não existem caminhos sem retorno. Qualquer que escolhas só desejo que ele te traga felicidade.

Grande e amigo abraço, Sandrio.

beijinho

Janita

Dois Rios disse...

A medida que fazemos o nosso caminhar nos deparamos com flores de um lado e noite de outro. As mudanças são inevitáveis.

Beijo,
I.

A Escafandrista disse...

Só de passagem para apreciar os seus versos. Bjs.

Concha Rousia disse...

Sandrio, que riqueza poética! saio daqui por uma estrada de versos que me levam a um bom lugar do dia... Abraços
Concha