5 de nov de 2011

Evasão

Eu preciso estar em algum lugar sem nunca estar. 
Eu preciso ser o copo que
c
a
e abre-se 
como a nota de uma canção estilhaçada no ar.

Eu preciso olhar os talheres sobre a mesa
a pequena xícara ainda suja de café amanhecido
tudo disposto a cumprir o estranho ritual
dos corpos dependurados em hastes que giram. 

Eu preciso vestir de terra a palavra céu
encontrar as chaves. Galgar corredeiras.
Acender o sol em meu quarto escuro.

Eu preciso naufragar no mar, no abismo saltar.
Senão o distante equilíbrio será sempre
uma tarde esquecida no horizonte. 

Sandrio Cândido 

11 comentários:

Cláudia N. Matos disse...

poema lindo!

Tania regina Contreiras disse...

Querido poeta, "eu preciso vestir de terra a palavra céu" soa-me tão profundamente significativo, diz, também, tanto do poeta, de sua história e caminhada...Seus versos vestem a minha alma de uma poesia tão verdadeira: são lindos e têm profundidade!
Beijos,

Livinha disse...

Olá Sandrio,

perfeito poema, expresso de sensível sentimento...
Logo abre-se a janela e o sol haverá de iluminar o cantinho escurecido...

Abraços

Livinha

Miquelinne Araujo disse...

O que pode-se dizer diante dosteus quereres...Queres ser o mais singelo modo de ser!
Beijos Querido

Concha Rousia disse...

Profundo e meditativo poema, eu preciso ler poesia como a tua de vez em quando para acordar lirismos em minha sala de pedra, adorei vir de visita hoje, beijos desta poeta da Galiza

Dois Rios disse...

Bonito poema!

As vezes necessitamos dos revezes para (re)adquirirmos o equilíbrio.

Inês

ju rigoni disse...

Não raro, para respirar, precisamos recorrer à evasão...
Um belo poema, Sandrio!

Muito feliz por sua visita e palavras. Tania é uma amiga virtual muito querida que me tem incentivado sempre.

Bjs, poeta. E inté!

carmen silvia presotto disse...

Eu preciso dizer que te ler é preciso... é corredeira poética que sempre vai me levar a mais versos.

Um beijo carinhoso e que poema, Sândrio.

Carmen Vidráguas!

« Katyuscia Carvalho » disse...

Todo o poema está maravilhoso... mas quando bati os olhos neste verso, fiquei sem chão:

"Eu preciso vestir de terra a palavra céu"

Parabéns!

Acqua disse...

passando para dar sinal de leitura

acompanho pelo google reader

sorrateiramente
acqua

Marceli Andresa Becker disse...

Dos primeiros versos gosto demais! A nota estilhaçada - isto se vê.

"Tudo disposto a cumprir o estranho ritual dos corpos dependurados em hastes que giram".

Tua poesia se absurda diante disto que começamos a chamar existência, este modo de se portar estranho, que envolve dividir o mundo em refeições, os sonhos em metas, o amor em projeções...

É poesia para se ler com a cabeça entre as mãos :)!


Beijo!