19 de nov de 2011

A lição das coisas

A maneira dos sinos.Anjos de bronze dependurados
nos campanários da catedral
gestando a canção da eternidade enquanto
a corda lhe sufoca o pescoço.
Nós também gestamos o poema em nosso ventre
junto a dor que nos esmaga os ossos.

Um poema é para pairar no tempo.
Tempo de tantos tempos que não chegaram.
Tempo de tantos tempos que já partiram.

Há momentos que nos pegamos carpidando fotografias
onde encontramos sepultados os instantes eternos
aqueles que a maneira dos namorados enlaçados
na grama ainda molhada de orvalho
sorvem da taça os últimos goles de vinho.

Dói como uma brasa na ferida aberta
estes minutos paralisados em papel. Sobretudo
aquele sorriso desfeito no sangue do espelho
quando taça lhe cortava os lábios.

Esmagado pelas nuvens. Uma rosa escurecida
de óculos parados na fronte
mãos no bolso
e uma gravata onde lembranças adormecem,
nós homens vamos  devorando quilômetros.

A maneira da areia onde gravetos se ajuntam
para ser engolidos pelo mar.
Nós homens sentado na pequena pedra
sem roupa que nos cubra a pele
trazemos em nosso  rosto já esburacado
o cansaço de uma pétala presa a lama.

Sandrio Cândido 

8 comentários:

Insana disse...

profunfo

bjs insanos da Insana

Tania regina Contreiras disse...

Dói como uma brasa na ferida aberta
estes minutos paralisados em papel. Sobretudo
aquele sorriso desfeito no sangue do espelho
quando taça lhe cortava os lábios.

Sandrio, que profundeza nos versos, que intensidade poética você tem.

Beijos, adorei, poeta!

Maria disse...

Intenso e sublime poema. Amigo deixei no meu cantinho um obrigado aos Amigos. É um miminho bem simples para agradecer a todos os Amigos que me acompanham pela estrada da vida e para lhes dizer como aprecio e admiro os seus blogs que são tão Especiais.
Bom domingo
Beijinhos
Maria

carmen silvia presotto disse...

É, um poema é tempo no espaço do sempre Sandrio.

Beijos,

Boa semana

Carmen.

Janita disse...

Que belo poema, meu querido Sandrio!
Tudo de belo na vida nos devia servir como uma lição.
A poesia não tem tempo. É feita para pairar nele e nele se prolongar eternamente.
Parabéns, meu jovem e talentoso poeta!
Beijinhos

Janita

dade amorim disse...

Seus poemas são de grande intensidade, Sandrio, dá gosto de ler.

Bjs.

Dois Rios disse...

"Há momentos que nos pegamos carpidando fotografias
onde encontramos sepultados os instantes eternos."

Nunca me deparei com algo tão verdadeiro e tão pleno de beleza.

Parabéns, Sândrio!

I.

Lisa Alves disse...

"Um pétala presa a lama" - Seriam os restos de nossas descontruções? Fragmentos de uma primavera?