19 de dez de 2011

Descrição da sala de espera

A Roberta tostes Daniel

Uma musica perdura em meus ouvidos. Desacostumados
ao bater das ondas. Lá fora todos cantam embriagados.

O silêncio porém rasteja entre as folhas bailando no vento
sem norte
alguém o ouve:
Deve ser o poeta. Deve ser um místico.

Em todos os cantos da sala uma sombra adormece.
Ao centro uma cadeira estática espera
sentar-se a mulher de alguns anos acumulados.
Dentro a criança sonâmbula brinca sem saber do risco

Ser enforcada com a  alça da bolsa cheia de coisas
cheia de nada.

Em todos os cantos da sala uma mala vazia.
Zíper fechado.
Chaves perdidas.
e o homem de terno preto esconde sua viagem. 


Em todos os cantos da sala rodeada de arame farpado  
uma rosa sobrevive. Algumas bocas tem sede de colhe-la.
Quando crianças aproxima-se delas. Crescem e já não
podem passar a cerca. Compram uma rosa plastica. 


Em todos os cantos da sala uma parede de espelhos 
mas aquele corpo a descansar em seu vidro 
não pode dizer nada a mulher sentada na cadeira
todas as estações estão perdidas, reside( resiste) o inverno. 


Sandrio Cândido 

8 comentários:

Tania regina Contreiras disse...

Faz um tempinho não acho um tempo para te "escutar" assim atentamente, ruminando os versos... Bom te ler, Sandrio, assim olhando todos os cantos da sala...
Beijos,

Carla Diacov disse...

assino as palavras da Tania!

beijo!

Roberta disse...

Sandrio, por qual ângulo começo estas palavras? Parto de que ponto, sonâmbula, para encontrar a música que desfira em meus ouvidos o bater destas ondas? É um grande espaço de silêncio o que escreve, bailando as folhas. É uma prece de paisagens de uma mesma sala, uma mesma mulher de anos e crianças acumuladas. E são todas as esperas, todas as salas, todas as mulheres em suas sombras adormecidas na infância. Seus versos, tão bonitos, me chegam com a surpresa de uma tarde melancólica pós-chuva, por entre espelhos, o arame que desafia a rosa, as estações perdidas. A sala onde passei o dia se alargou. São tantos os convites: a mala vazia, símbolo da viagem que não se fez - de onde não se regressou - do exílio, as chaves de abrir que caminhos? O homem que esconde sua viagem (talvez ele o que compre a rosa plástica). Resido, resisto nas palavras que me dedica. De todo modo, eu leria estes versos com a mesma gratidão, de quem brinca no inverso sem saber do risco do frio (até ser enforcada com a alça da bolsa, até ser colhida pelo canto dos embriagados). Muito bom! O canto dos ébrios me atingiu, e assim estou, trilhando as possibilidades desses caminhos (quase sempre as partidas). :) Beijo.

Evanir disse...

Estamos a poucos dias do Natal esse dia especial que vemos passar por nós
incansavelmente ao longo de toda a vida.
vamos abrir as portas dar ao Menino Deus as boas vindas ao aniversáriante.
Um Feliz Natal ..Paz Amor E Luz De Jesus.
Obrigada por estar presente na minha vida no decorrer desse ano que breve chegara ao final.
Deus permita que nossa amizade seja iluminada pelo menino Jesus.
Um Natal De Felicidade Para Você Familia E Amigos.
Beijos ternos e carinhosos.
Evanir.
Tem um presente de Natal no blog se gostar esta a seu dispor.

carmen silvia presotto disse...

Sandrio entro aqui para conversar com teu silêncio rastejante, ele faz coro...que poema.

Um beijo, sempre carinho de Feliz Natal e 2012 em frente e sempre juntos, seguimos.

Carmen.

Maria disse...

Amigo poeta hoje venho especialmente para desejar um Natal muito Feliz e que o novo ano seja repleto de alegria, saúde, paz e amor. “A Melhor mensagem de Natal é aquela que sai em silêncio de nossos corações e aquece com ternura os corações daqueles que nos acompanham em nossa caminhada pela vida.” (autor desconhecido)
Beijinhos
Maria

Janita disse...

Querido Sandrio.

Venho desejar- te um Natal de Luz e Amor, meu querido amigo poeta.
Que o teu caminho seja replecto de harmonia e muita Paz.

Beijos e forte abraço, querido.

Janita

Concha Rousia disse...

Sandrio, meu querido poeta, cada verso cria um espaço no que desejar ficar, parabéns a ti e a homenageada, lindo e profundo esse teu lirismo, adoro, grande abraço e um ano de muita paz e poesia para ti, venho desejar! Concha