1 de jan de 2012

Anotação sobre Carol





“Já disse tantas vezes amo-te e 
tu ficas como uma criança perdida”
                                                                      Maria Azenha 

A maça sobre a mesa apresenta-se para a aurora
dentro o punhal transpassa lhe a pele vermelha
despe lhe as sementes germinadas

as mesmas que trago dentro da minha saudade
eu fico a esperar areias se desprender dos corpos largados.

Deito os meus ouvidos no coração da terra.Ouço subir até 
a crosta das rochas os gemidos de Deus. 
Eu nunca soube tocar piano ,mas é como se soubesse. 
Meus olhos rezam o silêncio de uma prece nunca dita.

Estávamos juntos.Impossível que seja ilusão de ótica
meus olhos cansados enganam-se ao perceber
os rastros esquecidos, fotografias onde estanquei 
a ausência de Carol.

Todos vieram ver o espetáculo dos lírios brancos depostos 
em envelopes que jamais serão abertos
mas só nós os enxergamos. 

no interior das cartas de amor há o oco de uma viola sem cordas 
e a pétala rasgada em letras
e toda rosa é um ventre aberto  esperando pela chuva de lagrimas.

Carol é uma fenda no espelho liquido dos meus olhos
de onde vertem gotas de vidro
ferindo as mãos que um dia aconchegaram entre os dedos
o destino de Carol
mas ele escapou pelos pequenos buracos da mão.

O sangue nos dedos denuncia, entretanto estive pensando 
que tudo é apenas um engano
e Carol seja uma lua suicidada no poço de Samaria.

Carol é uma viagem não cumprida, uma pedra não talhada
uma janela onde já não cabe a medida do meu rosto
um violão sem cordas, onde acordes surdos entrelaçam-se 

e meu coração é um barco a velas navegando na saudade,
este mar sem porto onde calamos a ausência
onde repousa uma praia na qual jamais chegaremos a pisar
mesmo que em nossas pálpebras haja um pouco de sua areia

eu nunca soube tocar piano mas é como se soubesse 
já que meus dedos dedilham no corpo impossível de Carol
os acordes do silêncio 
e forma uma musica, a única que necessito...
infinita musica. 

Uma maça apresenta-se para a aurora,
mas a aurora encontra-se estancada nos olhos de Carol...

Sandrio Cândido. 


Imagem: naondadaescrita

3 comentários:

Tania regina Contreiras disse...

eu nunca soube tocar piano mas é como se soubesse
já que meus dedos dedilham no corpo impossível de Carol
os acordes do silêncio
e forma uma musica, a única que necessito...
infinita musica

Isso é de uma beleza tão grande, de uma poesia arreopiante!

Beijos, Sandrio!

Joelma B. disse...

Lindo dedilhar, Sandrio!!

Beijinho carinhoso!

Joelma B. disse...

Novo blog,Sandrio... assumindo faces:

http://transfiguracoes.blogspot.com/

Te aguardo!

Beijinho!