24 de fev de 2012

Circulo monetário

Desçamos as escadas circulares, por entre os ásperos degraus 
a sangrar de cansaço os olhos
esgotamos o tempo
esgotamos inclusive  a possibilidade de existir um tempo
entretanto
de vez em quando surge uma criança no patio
inaugurando a cidade impossível no coração de concreto.
É árduo o trabalho de lapidar a porta que nos cerca a entrada
há de ter mãos de facas,olhos em lagrimas e  uma
asa de chamas  incendiando as mentes.
Pobre criança
já avisto próximo os senhores da bolsa chegarem
e lhe convencerem de seu estado de estrela no céu sujo dos bancos
até que lhe roubem o brilho da faca
transformada agora em uma força metálica de aparar duvidas
mas se resistir um pouco da semente
haverá de ser jogada na lama da impossibilidade.
Esgotamos o tempo
e não há como pensar todo este circulo que nos vicia
escravos da liberdade estonteante do metro.

Onde será o cativeiro do horizonte?

Sandrio Cândido

3 comentários:

Samara Bassi disse...

o caminho é um laborioso pouso nas incertezas do caminho, no esmurrar as pontiagudas facas como se fossem dores a verter do âmago.
é um estado de inércia a dividão dos eixos da cidade nos olhos da criança entardecida de sonhos vãos e regados com água de chuva e concreto das ruas que pisa seus pés.
desmedimos o amor como quem colhe migalhas e as semeia para pombos, esfomeados de algum sentimentos, naquele canto de praça, enquanto o badalar dos sinos da pequena igreja convida os homens, de alinhar se por dentro, mesmo que num fechar abrupto de olhos.
que não seja breve, a persistência de se continuar indo, indo... como rio que segue, sem abandonar suas águas, um tanto quanto barrentas. mas suas.

Meu carinho imenso, querido.
Sam.

dade amorim disse...

Ai, a vida é dura, difícil, e logo as crianças vão descobrir isso. A gente grande é sem complacência, agarrada a seus valores que logo passarão a estragar os mais jovens.
A vida precisaria mesmo ser assim?

Beijo Sandrio.

Concha Rousia disse...

Que lindas as tuas metáforas, que profundo o teu lirismo, Sandrio, um abraço