10 de mar de 2012

I

Detrás do óculos
avança a traça do tempo,
corroendo os ossos métricos
do relógio facial.
Forma-se dunas
com cigarros apagados.
Alastra desertos
pela borda das pálpebras
drenando dos olhos
a água virgem dos séculos.
Folhas brancas e úmidas
fecundam a morte
sem saber que naufragamos todos
nesta lama de espelhos
para emergir lentamente
paralisados
na areia dos retratos...

Sandrio Cândido

6 comentários:

Mirtes Rodrigues disse...

Muito bom, eu realmente gostei muito desse poema...

Sandrio cândido. disse...

Mirtes, quero mudar a minha forma de escrever, diminuir um pouco o tamanho dos poemas, para buscar uma forma sintética de expressar-me...beijos

Mirtes Rodrigues disse...

Bom, não sei se o tamanho do poemas seja algo relevante para a qualidade deles, mas se quer encontrar uma nova forma para expressar, mas sintética como você disse, vá enfrente.
É sempre bom tentar se renovar de algum modo e uma das cosia mais interessantes na poesia é que você não precisa se prender a nenhuma "forma" de escrita.

Tania regina Contreiras disse...

Muito bom, Sandrio, e, sim, revela uma nova forma, mais sintética, embora a medida do teu talento não passe pelo tamanho dos poemas, eu penso. Acredito que às vezes precisamos de mais, às vezes de menos palavras, só isso. Beijo e parabéns!

Rick disse...

Bonito cara, muito profundo.
Até logo moço.

Tiver um tempo:
http://semguarda-chuvas.blogspot.com/

dade amorim disse...

Sandrio, achei este seu poema sensacional, perfeito e belíssimo.

Um abraço.