16 de mar de 2012

Lara

funduras alastram-se para dentro dos teus olhos 
folhas esparsas do outono 
sombras amarelas deitam poemas em tuas pálpebras 
ouço:
Abre-se uma fenda azul 
onde adentro para ouvir a solidão das grutas 
enamorar-se com a melancolia dos teus dedos. 
Jorra o crepúsculo de dentro da tua boca
somando noites no ventre escuro do tempo. 
Outra vez os teus olhos 
a devorar os rios que seguem defronte ao teu corpo 
enchendo-se de cachoeiras 
e peixes que saltam por cima das folhas brancas 
para dentro de uma taça de vinho tinto 
rasgando a pele do cálice.
Sinto as tuas mãos soltas 
cavalgando sobre um caderno negro e duro 
espiando o horizonte afastar-se na saudade...
Outra vez a solidão 
a deixar sementes germinarem em teu sorriso 
juntando cacos  de sol 
ouvindo uma musica ser tocada em teu rosto 
pelos dedos farpados do tempo...

Sandrio cândido 




4 comentários:

Lara Amaral disse...

Lindo, lindo de doer!
Cada verso é uma agulhada que anestesia.
Maravilhoso, Sandrio!

Beijo, querido.

Tania regina Contreiras disse...

Faço minhas as palavras da Larinha, Sandrio: lindo, lindo, lindo poema, menino! Você está cada vez melhor...
A homenagem também está à altura da homenageada, poeta que amo!
Beijos,

Leonardo B. disse...

[suave desfolhar do ser, nascente, rio e margem do ser,

dentro do poema]

um imenso abraço, Sandrio

Leonardo B.

Daniela Delias disse...

Muito lindo! Sigo-te, poeta.
Bjo