8 de mar de 2012

Levo comigo a fome dos teus olhos

"Oh pedaço de mim/ Oh metade exilada de mim"
Chico Buarque 

Sobre os meus olhos se fecham as janelas crepusculares,
ergo-os para a medida do infinito, esperando que ao longe
se acenda um sinal de fogo.

Deixo fluir a sede para a  tua boca. Poço que se afasta
no tempo.Por isto crescem salinas em meus lábios e
dunas agrestes assaltam as minhas pálpebras.

Não esqueças de voltar um dia, amo-te e estou a tua espera.
Vou escavando um buraco em meu peito
que sangra junto as notas da canção que ouço tocar  no piano

onde ficou a sombra dos teus dedos
e um vestido branco com nodoas compulsivas do ultimo abraço
tatuado em meus ombros.

Por vezes recolho-me a um canto escuro do quarto
e abro um álbum com jasmim colhidos na terra da saudade
umedeço-os.

Recordo-me de ter pescado a lua dentro no oceano dos teus olhos
que desaguava  em meu olhar...
Levo comigo a  fome dos teus olhos e a sede da tua boca

e esta saudade: Brasa crepitando sobre o meu peito.

Sandrio Cândido

3 comentários:

dade amorim disse...

Um poema lindo e tocante, Sandrio.

Abraço grande.

Tania regina Contreiras disse...

Recordo-me de ter pescado a lua dentro no oceano dos teus olhos
que desaguava em meu olhar...

INTEIRAMENTE lindo o poema, Sandrio!
Beijos,

Samara Bassi disse...

Venho deixar um abraço imenso e retribuir o carinho, seja por tantos anos, ou por alguns dias. Mas principalmente, pela troca e bonitezas que surgem e dos amigos que conquistamos e que no fundo, no fundo, não são tão virtuais assim...

Tem um presente pra você aqui: http://samarabassi.blogspot.com/2012/03/vasto-coracao.html

Espero que se sinta num abraço e que goste.
Deixo o meu carinho,
Sam.