15 de jul de 2012

Oásis

Sou um piano 
esquecido na garganta do mar
entre as ondas aqueço uma canção anoitecida

o tempo dedilhando notas geladas
atravessa meu corpo com a música da morte.

Amadureço uma canção no ouvido dos búzios.
A canção das praias alargando o coração,
palpitando no vazio.
A luz entardece as lagrimas da aurora.

Galopa um cavalo em meu coração
sua clina acende a liberdade em meus olhos de cinza
corcel das ondas batendo contra o tempo
ecos do infinito batendo no peito sedimentado à terra.

O meu nome é uma canção pronunciada do outro lado
um corpo com uma ferida coberta de sal
ardendo o sol em suas veias escuras.
Tenho apenas grãos de areia para cobrir o frio.

Uma lótus cresceu em minha língua coberta de fogo
as mãos buscam arranca-la
desce pelos vocábulos adormecidos e os acordam.

Acendo as estrelas apagadas nos olhos da vida
depois regresso
o sangue coagulado nas nuvens é meu ultimo poema.

Sou a xícara esquecida na chuva
gotas batem no fundo de rosas fluorescentes
rachando o nome coberto de areia.

Busco uma lamparina ardendo no corpo da morte.

Sandrio Cândido

6 comentários:

Lara Amaral disse...

Penso nas canções que o mar deve estar devolvendo em ressaca depois de tanta poesia.

Belo, meu caro!
Beijo.

Tania regina Contreiras disse...

Galopa um cavalo em meu coração
sua clina acende a liberdade em meus olhos de cinza
corcel das ondas batendo contra o tempo
ecos do infinito batendo no peito sedimentado à terra

Bravo, Sandrio!

Beijos,

maria azenha disse...

o mar...esse eterno manto que nos devolve ou agasalha...

gosto muito.



afeto,

Fernanda Fraga disse...

Meu Deus Sandrio, vc a cada dia está mais e mais pleno em suas poesias querido.. Cada vez melhor.
Emocionei demais com seu poema recitado por Lara.
Desculpe a ausência por aqui, mas sempre dentre essas intermitências da vida, sempre descanso minh´alma e meu olhar por aqui, me remete o amor primeiro da poesia, do qual fui gestada.
Um beijo
Fer.

Insana disse...

O Mar tem o silencio tão profunfoque diz tudo o que se deseja saber...

Bjs insano da Insana

Carla Diacov disse...

Em ser a xícara esquecida na chuva, guardar memórias que respingam, tanto!!!!


Beijo, Sandrio!!