13 de ago de 2012

Apontamentos para uma carta de despedida


ceslovas cesnakevicius, next station - other side

Para minhas irmãs
Sirlene Cândido  e Cleonice Cândido 
no coração daqueles que ficam 
crescem lírios brancos 
regados com os olhos daqueles que partem 

as mãos que ficam
escavam uma casa nas nuvens
as mãos que partem engolem estradas 

aqueles que ficam adormecem na praia 
os que partem se agasalham no mar 
depois amanhecem 
rosas desabrochando no coração do tempo.

sentados na plataforma da ausência 
apagam uma vela no ventre do crepúsculo
depois ressurgem embalsamados no retrato. 

os que partem e os que ficam 
habitam os vagões que nunca regressaram. 

Sandrio Cândido 

4 comentários:

Tania regina Contreiras disse...

Sandrio, querido, sua escrita mostra uma certa mudança, que a mim chega como se sínteses houvessem acontecido na sua alma, como se as suas águas falassem em sussuros depois de muitos brados. Eu não sei se isso é impressão minha como sua leitora e fã, ou se algo aconteceu mesmo. O fato é que, como poeta, você sempre foi sentido por mim como um daqueles que nasceram marcados. A poesia era inevitável. Já gostava, gosto mais ainda.

Beijos,

Daniela Delias disse...

Belo comentário da Tania. Bela a tua poesia. E adorei também a carinha nova do blog!

Beijão, Sandrio querido!!!

Lara Amaral disse...

Também gostei dessa síntese, e sem perder seu lirismo que me deixa voando aqui no seu espaço.

Beijo grande!

Thuan Carvalho disse...

Sintetizando a poesia.

muito bom!