30 de set de 2012

Tereza

Os dedos molhados na luz
escavam a pedra de sal no coração
abre fendas no espelho calcinado 
em busca da fonte.
Existe uma porta em cada silêncio
uma janela onde pousa a ave branca 
flores de arame guardam a paisagem 
rosas em chamas trancam a passagem. 
Nas pontes escorregadias 
desliza o nome pronunciado no bosque 
plantado dentro da fome. 
Atravesso com os passos cansados 
a praia do silêncio
estendo as mãos feridas 
escavo
dentro da pedra existe um lírio branco  
dentro dos olhos uma estrada esquecida. 
As palavras gravidas semeiam lâmpadas  
desejam parir um caminho 
arder a solidão em outra solidão
fazer crescer um jardim por dentro da fome.

Sandrio Cândido 



5 comentários:

Assis Freitas disse...

"dentro da pedra existe um lírio branco": vicejante


abraço

António Eduardo Lico disse...

Bela poeais

Leonardo B. disse...


[essa urgência sem nome,

que entre sombras e silêncios,
luz.]

um imenso abraço, Sandrio

Leonardo B.

Tania regina Contreiras disse...

Por dentro da pedra, do olhar, do poema: gosto muito, Sandrio!

Beijos,

Carla Diacov disse...

Tirando poesia de pedra!

te adoro!