11 de out de 2012

Liturgia do exílio

Há uma estrada irrompendo no encontro
anunciando a aurora
uma aurora além de toda aurora
uma possibilidade aberta ao infinito.
Há uma porta fechada no poema
as chaves perdidas no rio
as fontes sumindo no tempo.
Há uma mesa colocada no silêncio
uma cadeira vazia
uma flauta enterrada no peito.
Há pássaros morrendo no canto
uma barca indo e vindo
levando os mortos
atravessando o silêncio dos vivos.
Há malas vazias 
paisagens áridas habitando os olhos
rios secos 
mãos escavando a solidão. 
Há rostos ardendo na saudade 
incendiando paisagens ausentes
apodrecendo dentro dos retratos.
Há homens habitando as pedras 
esperando a chuva
bater levemente as gotas salgadas 
sobre os seus olhos petrificados 
eles agacham o corpo 
afogam a voz
dobram os joelhos no silêncio 
aquecidos nas grutas interiores 
afagam o cansaço do mundo 
acendem um círio na eternidade. 

Sandrio Cândido 

5 comentários:

António Eduardo Lico disse...

Bela poesia

Tania regina Contreiras disse...

De pura emoção e imagens belíssimas, Sandrio. Sempre bom te ler.
Beijos,

Daniela Delias disse...

Tão bom te ler...

Bjo

Carla Diacov disse...

tão, tão, tão lindo e leve, Sandrio!

Antonio Batalha disse...

Blog fantástico, é para mim um privilégio poder ler as suas palavras, de certo que mais vezes virei aqui, no entanto agora vim para encontrar novos amigos e ao mesmo tempo divulgar meu blog.
Quero apresentar o Peregrino E Servo. Gostava que visse meu blog e desejar fazer parte dos meus amigos virtuais esteja à vontade, mas faça-o apenas se desejar.
Muitas felicidades e saúde.
Sou António Batalha.