10 de nov de 2012

Itinerário

Guardou os pássaros na gaveta
explodiu todos
a mão sobre as partículas azuis
desnudou-lhe.
Sentada no espelho
regressou à inocência dos pianos
pairando levemente no interior
entregou-se a solidão
levitando no sonho de um amanhã.
Ferozmente
rompeu os lacres da esperança
depôs a manta de cactos.
Cravou os dentes no útero
abortando a gestação dos passos.
Derramou-se pelas bordas da aurora
contemplando o céu
as estrelas não existem
ainda assim
ninguém atreverá-se a negar
quão belo é o seu  brilho
os corpos exalam o perfume
das rosas que nunca floresceram.
ontem
os dedos do silêncio
galgaram os violinos interiores
a música tem fome de pão
incrível graça de habitar o presente
na sombra cadente dos abraços.

Sandrio Cândido

5 comentários:

António Eduardo Lico disse...

Bela poesia.

Tania regina Contreiras disse...

Cravou os dentes no útero
abortando a gestação dos passos....
Lindo!
Beijos,

Lídia Borges disse...


Belíssimas metáforas a revelarem a inquietude do sujeito lírico.

Lídia

Daniela Delias disse...

Belo!!!

Leila Bomfim disse...

Lindas palavras!