19 de dez de 2012

Retrospectiva

Enquanto sangra a ferida
me abrigo nos coágulos
as mãos meditam a solidão
catando vermes
a língua despe-se da fonte.
Estranha leveza
o sorriso
é tão inútil crer no inútil.
Deserdo-me do horizonte
desisto de costurar casacos
não mais arrumo a mala
nada carrego nos ombros
eu continuo a pesar em mim.
Não preciso buscar a chave
a porta não espera ser aberta
é inútil estar na solidão
o deserto, miragem
silêncio algum rasga o cansaço.
Tudo morreu em mim
jardins apodreceram
os amigos partiram
emoldurados ressurgem.
Crianças descalças
gemem em meu sopro
espelhos me olham tristes
os olhos marítimos escureceram
abrigando estrelas sacrificadas.
Também fiquei dependurado
junto as fotografias
enforcado em alguma gaveta.
Estranha possibilidade
o amor
suplico-lhe
devolva os lampiões da infância
é urgente que eu me encontre.

Sandrio Cândido 

4 comentários:

carmen silvia presotto disse...

Sandrio, entro, te leio e deixo meu carinho e desejo de Um Feliz 2013 e muita luz e poesia aos teus dias.

Um abraço.

Carmen Silvia Presotto - Vidráguas!

CÉU ROSÁRIO disse...

"A todos Aqueles que me visitam ...A todos Aqueles que me Ajudam a construir,com comentários aos posts que vou fazendo ...A todos Aqueles que me incentivam a escrever,Se agradados por mostrarem o conteúdo do meu cantinho ...A todos Aqueles que leram o, de uma ponta a outra,Tendo mesmo chegado a meio do percurso ...A to...dos Aqueles que espreitam o, mesmo não deixando rasto ...Espero que um dia Ganhem coragem! :)Beijinhos e obrigada ... "
Feliz Ano Novo!

Lisa Alves disse...

Sandrio, tua poesia é carregada de construções interiores, tijolos de crescimento e de uma liberdade que me encanta:

"Crianças descalças
gemem em meu sopro
espelhos me olham tristes
os olhos marítimos escureceram
abrigando estrelas sacrificadas."

Zélia Guardiano disse...

Muito lindo! Até desnecessárias tornam-se mais palavras... Abraço