31 de mai de 2013

Infância

há canções mortas grudadas no corpo
domingo nunca mais.

as roupas sujas de barro
araras, andorinhas, canários
fios elétricos cantando na solidão.

as aroeiras cresceram na ausência
seus galhos tortos ferindo os abraços.

as grotas invadindo o amor,
estranha saudade costurando a existência
os arames farpados esticados na linguagem.

mangas maduras esperando serem colhidas
mas outro é o alimento dos olhos.

aconteço dentro do suicídio cotidiano
os cadáveres gritam por dentro da angústia
estou por ser engolido pela fome.

Sandrio cândido 


4 comentários:

António Eduardo Lico disse...

Bela poesia.

Luciana Marinho disse...

quando a poesia se faz por um acordo entre imagens e pela quebra do "esperado" sintático, o poético salta, como nesta tua poesia. me senti tocada e instigada desde os primeiros versos. parabéns.

abraço.

Verso Aberto disse...



os grotões da alma
estão cada vez mais
vazios

abs

Lisa Alves disse...

Levou-me a nostalgia do passado, Sandrio! Belo