25 de nov de 2013

o peito
uma morada de maribondos
algo assim

inútil desenfaixar o tempo
não há muito a buscar dentro da névoa
o amor talvez possa acender a criança

tão distante os olhos
náufragos mudos em uma esperança
poluídos pelo horizonte
monturo dos séculos
folhas verdes cobertas por teias de aranha

não sei porque habito o mundo
nada é tão singelo como ouvir a manhã
quando os pássaros ferem o silêncio
com as suas gargantas irmanadas aos deuses

estive sempre em estado de parto
grávido das silabas
estou farto de parir palavras

é inútil a vida, mas
ainda insisto no cultivo das roseiras
escavo barcas no centro da morte.

Sandrio Cândido 

Um comentário:

Carla Fernanda disse...

Muito belo!!

Bom dia!!