2 de jul de 2014

os deuses muito cedo se acostumam ao silencio
desfiam indiferentes as contas do tempo

do barro fizeram o nosso corpo
colocaram música em cada orgão
prometeram-nos uma festa inacessível

aqui estamos suplicantes
e não temos mais um prometeu para recorrer

dá-nos o fogo para as candeias interiores
a harmonia de um abraço improvável
a casa alicerçada na eternidade

aqui a vida devora os nossos barcos
padecemos  sempre da esperança de um porto.

2 comentários:

Graça Pires disse...

Um excelente poema que li e reli com gosto.
Abraço.

marlene edir severino disse...

Mas quando o vislumbramos...

É o anelado!

Abraço!