30 de jul de 2015


Diferente de quando éramos crianças
trepar na árvore hoje é complicado.
Não temos mais os pés rápidos ,
nem as mãos virgens
tão pouco olhos acostumados ao alto. 
O que temos é o coração telúrico,
olhos groteados em funduras
veias degradando o corpo
córregos  secando.
Sobretudo o nosso corpo.
Mudou tanto a química do corpo
Já não possui a destreza infantil
desaprendeu como mapear correntezas
perdeu a língua da inocência.
A linguagem normatizada
pela erótica gramática dos suores
em espasmos e sussurros,
vozes desnudas ,
sexos entrelaçados ao caos,
é a que falamos agora.
Escrevemos na pele do gozo
algo capaz de devolver a tabula
roubada pelos deuses iluministas.  
Com gemidos ensombrecidos
coração domado no êxtase,
por baixo tonteando os olhos  
em solitárias posições,
buscamos um guarda-solidão.
televisionamos o mergulho
mas já não naufragamos!
entretanto,  irônico destino
tão pouco mergulhamos!

Sândrio Cândido

2 comentários:

Graça Pires disse...

Lindíssimo poema!
Abraço.

Louisette disse...

Beautifull poesia!