7 de set de 2015


tu existe, eu sinto
em algum lugar existe

e quando é noite
estende os seus cabelos longos
toma o meu corpo em tuas frágeis mãos
envolve-me em  uma ciranda chuvosa

e os seus olhos cansados de alturas
buscam exílio em minhas funduras  
enxagua em mim a flor

e os seus lábios me falam
por dentro das coisas insignificantes
como a árvore  que floresceu diante da minha janela

e os seus ouvidos escutam  meu pranto
salva-me dentro a borboleta ancestral
o órgão de pássaros antes mutilados

e regresso a ser correnteza emrumada
depois haver acordado os rios
canto uma litania enflautada

e na busca de um céu alumiado
deito no silencio,ausento  a linguagem
fico quieto no instante
devolvo candeias  aos olhos marejados.
 
Sândrio Cândido

Um comentário:

Graça Pires disse...

"canto uma litania enflautada". Gostei muito.
Abraço.