13 de out de 2015

Íamos

de um lado a outro do mundo.
na certeza de possuir em mãos o segredo
das maças. se ainda houvesse maças
se ainda houvesse a mão
para descer vagarosamente a noite
e afundar
na pulsação firme da vida
até encontrar um último lampejo.
algo úmido, único,
capaz de saciar a sede intransitável.
estranha  a solidão dos místicos
deste século,
sem homens
sem deuses
sem desertos
sem uma verdade por apoiar
nem alguém por encontrar.
está apenas a polpa
e por dentro não existe nada.  
feitos de paisagens,  estradas , oceanos
e de tantos caminhos...
já não são,
já não somos
senão isto:  
inabitados, inacabados,
herdeiros da grande tarefa
destecer o agasalho que serviu
por tantos anos,
prolongar a agonia do outono.

Sândrio Cândido

Um comentário:

Graça Pires disse...

Tão belo!
Abraço.