7 de out de 2015

me esqueci aos poucos de mim
estou perdido
estou um mar sem cais

atravesso a rua
o deserto
a vida

as calçadas fendidas chorando
o sangue escorrendo entre as brechas

alguém diz:
não há flores em agosto.
maio é o melhor mês do ano
é quando as laranjeiras estão carregadas

agosto é o contrário
nenhuma paciência para o futuro
aroeiras desfolhadas
os cabelos do inverno caindo

enorme é aperto no peito
a vida é doença incurável
meus mortos estão despidos de eternidade

( toda a vida em adoração a beleza
e nunca fui capaz de alcançar seus altares)

falta algo
não é tanto o excesso de vazio
é esse copo emborcado
a espera do café nunca passado no coador

é essa respiração alternada
entre uma canção do madre deus
e o silencio
de um barco naufragado

tudo é muito pouco para ser nada!

Sândrio Cândido

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