22 de fev de 2016



La alegría de besarte, Curtis Wiklund
 
 

O amor nem sempre é fácil, comporta detalhes algumas vezes imperceptíveis aos olhos, entretanto essenciais para sustentar uma relação. Das grandes promessas recheadas pela vontade até o momento da viver juntos há um largo período, também esse recheado de momentos lindos e difíceis. O amor tem seus próprios ritos:  Os risos sem motivos, abraços sem razão, o beijo na testa a qualquer hora do dia, as mãos encontradas, melhor dizendo, pelas mãos que se esbarram como se desde muito estivesse a compor a mesma coreografia. 

O amor também dança com os corpos na chuva, entregados na cama, desvendando-se um ao outro no cotidiano.  Esse sim é o grande palco onde a dança do amor acontece, nele os ensaios não valem, pois cada passo vai construindo a própria coreografia. O amor passa pela cartografia dos espasmos, pelos silêncios entrecortados, pelas discussões banais e pelas reconciliações, algumas vezes tardias e feridas.

O amor comporta aprender a dormir juntos, despertar juntos, caminhar um ao lado do outro, cantar a mesma canção,  mesmo sem a presença do outro. O amor passa pelo adoecer juntos, pelo sustentar a lágrima do outro, mas também os sorrisos.  O amor comporta desabar juntos e erguer-se juntos também. É estar em silencio, cada um em sua solidão, não mais desabitada,   mas aquela em cujo silencio podemos sentir a comunhão com aquele que escolhemos para atravessar conosco o deserto da vida, usando uma metáfora da Sophia de Mello Breyner Andresen.

O amor pode ser mesmo esse cair apaixonado, mas grande parte de ele passa pela construção diária e alguns desenhos do Curtis Wiklund  mostram isto ao retratar o  o cotidiano da sua família . Achei tão lindos pela beleza e leveza desse sentimento tão necessário para a humanidade e cuja centralidade é forte nas relações de hoje. A belíssima imagem do dormir juntos cada noite, em outra, a alegria do beijo, em outra simplesmente o silencio, aquela linda imagem do homem carregando a mulher para a cama. Em todas elas a tentativa de mostrar o amor que aparece em cada detalhe daqueles que escolheram estar no coração do outros como apaixonados.

O amor não é mesmo fácil, como todos os grandes sentimentos da vida, mas traz uma alegria e uma leveza capaz de dar sentido a existência humana. Pois é na memória dos momentos vivenciados ao lado de quem amamos que podemos encontrar o fundamento para viver. Ao lado de quem amamos descobrimos as notas para tocar a música da vida. Ao lado de quem amamos descobrimos que podemos voar alto e ter no coração de alguém um ninho para voltar a descansar.

 

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